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Entrevistas

Entrevista com Igor Inocima

Ele é o responsável por auxiliar as duplas brasileiras no Japão na final do WCS

WCS Cosplay / Editora JBC

Você foi um dos responsáveis diretos pela inserção do Brasil na disputa do WCS, não? Como foi que rolou todo esse processo de negociação?

WCS Cosplay / Editora JBCO objetivo da JBC é o de divulgar a cultura japonesa no Brasil, assim, desde o início planejamos criar um evento nacional para popularizar e incentivar o hobby por todo o país e não só nos eventos que já existiam. Durante a negociação, a JBC deu todas as garantias de que o evento aconteceria, mesmo com um prazo super apertado que tínhamos para fazer o primeiro WCS. Fechamos a parceria em janeiro e as eliminatórias e a final teriam que acontecer em um prazo de seis meses. No primeiro ano, por falta de tempo, as eliminatórias acabaram se concentrando no Sul/Sudeste, mas atualmente já temos eventos parceiros em todas as regiões, além de promover eliminatórias em eventos como o Mercado Mundo Mix, que estão fora do circuito tradicional de eventos, mas que divulga o hobby para um novo público.

Não bastasse isso, você ainda acompanha os representantes brasileiros em toda a estadia no Japão. Como é esse processo?

WCS Cosplay / Editora JBCOs brasileiros vão ao Japão para representar o país no WCS, então a agenda é cheia de compromissos oficiais, deixando pouco tempo para passeios, mas todos até hoje sempre foram muito compreensivos e entenderam o espírito do evento, que é o de promover uma interação entre fãs de mangá e anime, divulgando a cultura japonesa por todo o mundo

Dentre as três duplas que já participaram do concurso, duas delas foram campeãs. Como foi estar no pódio duas, das três vezes que o Brasil disputou o WCS? O que mudou de 2006 para 2008?

Eu subi com os representantes brasileiros as três vezes e sempre é um frio na barriga pois nunca se sabe quem vai ganhar. Nesse ponto nada mudou desde 2006. Por outro lado, agora a competição está cada vez mais acirrada, o nível dos cosplays e das performances está aumentando a cada ano. Cada vez que uma competição acaba, cosplayers do mundo inteiro assistem às apresentações e tentam superá-las para o próximo ano. Acredito que isso é muito saudável e vai fazer com que o hobby se fortaleça cada vez mais.

Como os brasileiros se comportam no Japão? Quem foi o mais bagunceiro?

Por natureza, os brasileiros são sociáveis e sempre se enturmam, mesmo quando não falam a língua do outro, eles dão um jeito de se entenderem e se divertirem. Após o WCS, os brasileiros sempre mantém contato e acabam sendo convidados a participarem de eventos em outros países. O mais bagunceiro acho que foi o Gabriel, vendo o blog acho que dá para ter uma idéia do que ele aprontou por lá.

Os brasileiros se adaptam bem à vida no Japão? Comida, compras, calor, essas coisas?

WCS Cosplay / Editora JBCA maioria que chega ao Japão é porque gosta do país e da cultura, por isso a determinação que os leva até lá. Comida sempre se dá um jeito, mesmo porque existe hamburger em qualquer lugar do mundo. Compras todos conseguiram fazer, mesmo sem eu estar por perto. Já o calor não tem jeito, todo mundo reclamou e vai continuar reclamando porque o verão em Nagoya é extremamente quente.

Como eles lidam com a agenda de compromissos da Tv Aichi? São pontuais?

No início eles atrasam um pouco, mas depois entendem que a cultura japonesa é a da pontualidade e se esforçam para chegar no horário.

Você saberia dizer como é a pré-produção da Cosplay Parade? Como é organizar um evento tão grande e com tantos participantes para andar entre as ruas de Nagoya?

WCS Cosplay / Editora JBCA Cosplay Parade é talvez a parte mais divertida para os cosplayers, pois eles interagem com os japoneses e todo mundo pára tirar foto, é uma festa. É quente, é muita gente participando, cerca de 300 cosplayers no total desfilaram este ano, são muitos os curiosos, enfim, é um trabalho e tanto organizar isso. A TV Aichi faz um belo trabalho nessa parte junto com a ajuda de voluntários locais.

Qual foi o problema que ocorreu para que o cosplay de Goku do Gabriel fosse proibido de ser usado?

Foi um problema de comunicação, o aviso da restrição de personagens da Shueisha veio em cima da hora e não deu tempo dele trazer outro cosplay pois ele já havia embarcado.

Você que ajudou o Gabriel a vestir o Jango antes da apresentação final, né? Foi muito difícil?

Até que não, pois nós já havíamos ensaiado e cronometrado o tempo necessário. Devido ao tamanho do Jango nós tivemos que vestí-lo num espaço bem pequeno ao lado do palco, mas no final deu tudo certo.

Na hora do anúncio dos vencedores, a Jéssica contou que nem escutou os apresentadores mencionarem o Brasil, só percebeu que tinha ganhado quando você falou. Como foi esse momento?

WCS Cosplay / Editora JBCLembrando agora foi engraçado, porque geralmente eles anunciam o número do país e depois o nome, quando eles falam Burajiru, mas a Jéssica não entendeu e acho que também não entendeu porque o Gabriel e eu estávamos tão felizes. Daí comecei a gritar que era a gente, que era a gente, mas ainda assim acho que demorou um pouco para ela acreditar.

Você poderia fazer um balanço sobre a participação dos três anos do Brasil no World Cosplay Summit?

WCS Cosplay / Editora JBCO cosplay no Brasil era algo que estava restrito aos eventos de mangá e anime, não aparecendo muito na mídia. Com o WCS, a JBC buscou justamente popularizar o hobby e, consequentemente, fazer com que mais pessoas tivessem contato com o mangá, exatamente o que vêm acontecendo atualmente. Todos os canais de TV já fizeram matérias sobre cosplay e isso aconteceu principalmente depois do Brasil participar e ser campeão mundial no WCS. Atualmente surgiram diversos concursos na cauda do WCS e que ajudam a popularizar o hobby ainda mais. Creio que a JBC foi bem sucedida no que se propôs até agora e vai continuar sendo pois certamente outros campeonatos ainda virão para nós.

Entrevista por Jefferson Kayo
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