Marcelo Fernandes e Thaís Jussim, falam sobre sua viagem ao Japão e sua performance na final do WCS 2007

Muito felizes e encantados com o Japão, o casal Marcelo Fernandes e Thaís Jussim (Vingaard e Yuki), que representou o Brasil no World Cosplay Summit 2007, em Nagoya, define sua passagem pela terra dos mangás e animes, mesmo que este ano a vitória tenha ficado com a França - representada pela dupla Damien Ratte e Isabelle Jeudy.
“O evento tem um nível altíssimo e reúne os melhores cosplayers do mundo. Por isso, chegar até aqui já foi uma grande vitória para nós”, definiu Marcelo no dia seguinte à principal competição de cosplay do mundo. “A responsabilidade era grande, porque o Brasil foi campeão no ano passado. Mas estamos com a sensação de dever cumprido e muito orgulhosos de ter representado o nosso país”, acrescentou Thaís.
Fãs da cultura nipônica, ambos definem a viagem ao Japão como a realização de um sonho. E esperam que a valorização dos mangás e animes continue em ascensão no Brasil, país que já se inseriu de vez no cenário cosplay mundial.

Henshin! - O que vocês mais gostaram do Japão?
Marcelo - O povo, a educação, a organização, a consciência ambiental… enfim, tudo! A oportunidade de conhecer o país de perto não só confirmou o que já esperávamos encontrar, como também superou nossas expectativas.
Thaís - Demorou para cair a ficha de que realmente viemos para o Japão. Até alguns meses atrás, isso parecia um sonho difícil, quase impossível, para nós. Tudo aqui é fascinante, mas o que mais me marcou foi ter conhecido a Torre de Tokyo, um lugar meio mítico para nós porque aparece em muitos mangás e faz tempo que alimentávamos essa curiosidade.
H! - Estranharam alguma coisa? Passaram por alguma situação engraçada nessa viagem?
Marcelo - Tudo é muito diferente mas não vivemos nenhuma situação engraçada ou constrangedora. Fiquei surpreso com a alta tecnologia em todos os lugares, até mesmo nos assentos dos vasos sanitários. Quando vi aquilo pela primeira vez, confesso que fiquei curioso para apertar todos os botões (risos).
Thaís - A satisfação de conhecer o Japão é tão grande que não reparei se aconteceu alguma coisa engraçada. Talvez, nos bastidores do próprio WCS: quando fui apresentada aos cosplayers da Cingapura [Ho Yuan Yuan e Sim Peck We], eu quis cumprimentá-los com beijos no rosto, como fazemos no Brasil, e eles estranharam. Mas logo compreenderam que nossas culturas são diferentes e, no final, nós nos entendemos bem.
H! - Aliás, como vocês se comunicavam com as outras duplas?
Marcelo - Na maior parte do tempo conversamos em inglês. Alguns deles têm a pronúncia diferente e, quando a comunicação ficava difícil, tínhamos de recorrer aos tradutores da organização do evento.
Thaís - O mais curioso foi constatar que o cosplay uniu pessoas de várias partes do mundo em torno de uma mesma cultura. Esse interesse em comum pelos mangás e animes criou uma proximidade muito grande entre todos os participantes.
H! - O que acharam do universo otaku no Japão? Fizeram muitas compras?
Marcelo - Isso aqui é o paraíso para quem gosta de mangás e animes! Mas não conseguimos comprar muita coisa. Compramos algumas lembranças para familiares e amigos. Além disso, a Thaís comprou uma boneca da Suigin Tou e eu adquiri uma réplica da nave espacial Yamato (Patrulha Estelar) e a edição japonesa de número 50 do mangá Inu-Yasha, um de nossos preferidos (tema interpretado pela dupla no WCS). Mas ainda vou precisar esperar o número sair no Brasil para entender melhor (risos).
H! - Deu um frio na barriga na hora da apresentação no WCS?
Marcelo - Sem dúvida. No Brasil, já chegamos a nos apresentar para públicos tão numerosos quanto esse, mas subir ao palco do Mundial em Nagoya teve um gosto especial. O minuto antes de entrar no palco é o de maior nervosismo, mas é um nervosismo muito bom e que adoraríamos ter de sentir outra vez.
Thaís - É uma responsabilidade muito grande. Não tem como não ficar nervosa num evento desse porte.
H! - Vocês viram que havia torcedores brasileiros lá?
Marcelo - Sim, eu vi a bandeira brasileira sendo agitada lá no meio do público e isso me emocionou bastante. Depois, eu soube que eles foram ao evento de cosplay e achei isso maravilhoso. Só tenho a agradecer a eles e pedir para que continuem valorizando essa cultura.
Thaís - No dia do evento, fiquei muito concentrada e, quando subo no palco, costumo não ver mais nada na minha frente. Porém, na véspera, durante a Parada Cosplay (desfile dos participantes do WCS pelo centro de Nagoya), fomos abordados por vários brasileiros, que manifestaram carinho, tiraram fotos e disseram que estariam lá torcendo por nós. Isso foi uma surpresa muito boa para mim e para o Marcelo e nos motivou ainda mais a representar o Brasil no palco do WCS.
H! - Vocês acham que representaram bem o Brasil?
Marcelo - O evento reúne os melhores cosplayers do mundo e tem um nível muito alto. Só o fato de chegar até aqui já é uma grande vitória para nós. Estamos com a sensação de dever cumprido, independentemente do resultado. E esperamos que essa cultura continue crescendo no Brasil.
Thaís - Viemos para o Japão com uma responsabilidade muito grande, porque o Brasil foi campeão no ano passado (com os irmãos Mônica e Maurício Somenzari Leite Olivas) e as cobranças sobre nós foram algo inevitável. Mas cumprimos nossa missão, demos o melhor de nós e estamos muito orgulhosos de ter representado o nosso país.
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