Entrevista exclusiva com Ricardo Cruz

O cantor brasileiro revela que acabou de gravar uma música com o grupo JAM Project

por Arnaldo Oka
26.08.2008

Ricardo Cruz é brasileiro, cantor de músicas de anime e tokusatsu, além de integrante brasileiro do grupo JAM Project. Com o grupo liderado pelo cantor Hironobu Kageyama, Ricardo gravou as músicas “Gong”, “Neppu! Shippu! Psybuster”.

Confira entrevista exclusiva a Henshin!:

H! - Qual é a impressão que está tendo do SANA?

RC - Ah, é muito legal. Aqui é diferente de São Paulo. Acho que, pelo fato de virem poucos artistas pra cá, o pessoal se empolga muito. Eles esperam um mês, dois meses, meio ano por um show, eles querem te falar, eles querem te abraçar, eles querem tirar fotos, é uma recepção muito legal. Enquanto que em São Paulo o pessoal já se acostumou, aqui encontramos uma outra postura do público. Aqui o pessoal é muito animado, tem calor humano, vem, te abraça, te beija. Se pra mim, já é uma coisa meio estranha, que eu não estou acostumado a encontrar, imagine para os cantores japoneses.

H! - Como os cantores japoneses estão reagindo a esse assédio dos fãs?

RC - É engraçado. Veio uma fã japonesa de anime songs, a Sae, junto com a gente. Tanto ela quanto os cantores estão muito felizes com o amor que estão recebendo dos fãs. Quando a gente chegou no aeroporto, a Sae, ela chorou de emoção. Ela se emocionou ao ver os cantores que ela gosta serem estrelas aqui. Isso é uma coisa que realmente emociona todo mundo. No show que fizemos ontem, em que eu e o Koji Wada cantamos. Ali, só na frente do palco tinha quantas? Mais de 3 mil pessoas? 3 mil é mais que a lotação de uma casa de show como a Zepp ou uma ON AIR EAST (Casa de show, atualmente chamada de Shibuya O-EAST), que é onde o pessoal apresenta o Super Robot Spirits. É casa cheia lá, enquanto que aqui, em Fortaleza, foi o dia em que tinha menos gente assistindo. Essa grandiosidade mexe com eles.

O Nobuo Yamada, depois da experiência de vir para o Anime Friends pela primeira vez, no ano passado, mudou a visão de mundo dele. Até então, ele dizia… “eu sou cantor de rock, não sou cantor de anime songs” enquanto o Kageyama insistia, “Não, vamos lá, vamos lá”, mas o Nobuo recusava sempre. A experiência no Brasil fez com que ele visse que a posição dele aqui era muito importante para divulgar o trabalho dos japoneses pelo mundo. Agora ele pede para ser convidado sempre enquanto que o Koji Wada já veio quatro vezes para o Brasil (risos).

H! - E o que está achando desse fenômeno da vinda dos cantores japoneses ao Brasil?

RC - Ah, estou curtindo à beça, porque eu tenho esse lado fã. Cada vez, mais, também pelo fato de estar trabalhando com eles no Japão, eu sinto que tenho uma sorte imensa de poder estar aqui ao lado deles, porque, é um crescimento musical, assim, na parte profissional, que, não tem escola de música que chegue aos pés. O pessoal tá sempre me ensinando coisas. Quando o Nobuo Yamada ou o Kageyama estão aqui, chegam pra mim e dizem “faz assim, faz assado que melhora. Melhor soltar a voz nessa parte aqui”, é uma coisa que é da prática. Você vai ouvindo eles cantando, com a voz seca, sem produção nem nada, você passa a perceber a técnica. É um grande aprendizado e, para a minha carreira profissional, como cantor, é um desenvolvimento sem tamanho. E ainda tento me desenvolver cada vez mais para chegar aos pés dos caras e, daqui pra frente, fazer boa música, cada vez mais é essa a minha tendência, para melhorar e atender a essa galera toda que gosta de boa música, acho que o objetivo é esse, é algo simples assim.

H! - Como estão sendo as suas atividades junto ao JAM Project?

RC - Uma vez por ano eles fazem uma turnê japonesa por várias cidades japonesas e, agora vai ter o show do JAM Project aqui no Brasil, dia 20. Vai ser um show grande que vai reunir a equipe toda e cantarei lá. Na música “No Border”, que abre o show, vou apresentar uma dancinha junto com o pessoal (risos). Acabei também de gravar uma música nova com eles.

H! - Lá no Japão?

RC - Aqui no Brasil. Gravei minha voz aqui e mandei pra lá. Não sei como vai ser mixado lá no Japão, mas o título é “Sempre sonhando”, um título em português, em vez de inglês. Eu acho que os fãs daqui do Brasil vão adorar.

H! - Quais são seus planos futuros?

RC - Eu pretendo continuar cantando, no segundo semestre vou começar a cantar numa banda nova, de hard rock, que não tem nada a ver com anime songs. Mas a idéia é misturar as minhas influências, que são muito anime songs, no hard rock. É ainda um embrião que a gente não sabe ainda no que vai dar e estamos com planos de começar a gravar em breve. Tenho muita coisa em planejamento, tem um programinha de rádio também, tenho uma carreira paralela como cantor, como jornalista, tradutor. Quando faço revista sinto um prazer danado, assim como quando canto e componho. Acho que, com o tempo, as coisas vão assim, se encaixando naturalmente.

O Nobuo me contou que, depois de ter cantado no Anime Friends, no ano passado, ele passou a receber propostas de vários lugares, e parece que depois do SANA isso vai aumentar ainda mais. Eu fico muito feliz e emocionado porque partiu de um sonho de quando eu tinha 17 anos, todo otaku, vendo o show dos caras lá em Tóquio, adorando. Depois que voltei pra São Paulo e conheci o pessoal que, depois, viria a fazer o Anime Friends, eles queriam fazer um evento com diferencial e pensei em chamar os caras do Japão. Eu sabia que tinha uma geração igual à minha, que ia curtir isso muito! Daí, toparam e convidamos o Kageyama e, daí, toda essa mania começou. Estou muito feliz de fazer parte dessa divulgação internacional de anime songs. Agora eles (os cantores) me falam que, depois que vieram para o Brasil, passaram a receber convites para cantar em muitos lugares. Que recebem tantas propostas que nem conseguem atender todos. Olha isso (apontando para fora da sala onde seria realizado a sessão de autógrafos), todo o pessoal parado aí do lado de fora, fazendo fila para pedir autógrafo, querendo conversar. Aqui no Ceará. Quando a gente imaginou uma coisa dessas?

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