Entrevista exclusiva com Nobuo Yamada

Cantor do tema original de "Cavaleiros do Zodíaco", “Pegasus Fantasy”, falou com a Henshin durante o SANA

por Arnaldo Oka
21.08.2008
ReproduçãoCantor e ex-vocalista da banda MAKE-UP, Nobuo Yamada

Cantor e ex-vocalista da banda MAKE-UP que cantou a música tema da série original do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, “Pegasus Fantasy”. Apresentou-se no México em abril e, depois de Fortaleza, foi para a Argentina.

Confira entrevista exclusiva a Henshin!:

ReproduçãoNobuo durante o ensaio para o show em Fortaleza no SANAHenshin! - O que acha do sucesso dos animes e mangás no Brasil?

Nobuo Yamada - É impressionante. Com certeza é mais impressionante que o próprio Japão. Lá no Japão onde somos a fonte dessa cultura, o sucesso se propaga de modo mais silencioso, mas aqui no Brasil a efervescência do público é algo ignorante. Até vir participar do Anime Friends, no ano passado, eu nem tinha idéia de que era assim.

H! - Quando você se decidiu a vir para o Brasil?

NY - O Kageyama, que vocês já conhecem, me convidava direto para vir, mas, infelizmente, a minha agenda não batia. Ele ficava me falando direto que “Os Cavaleiros do Zodíaco” faziam um grande sucesso aqui e que valia a pena eu vir conhecer. Até que chegou o dia em que a agenda combinou e finalmente pude vir sentir o calor e a empolgação dos brasileiros.

H! - O que conhecia da cultura brasileira?

NY - Confesso que só conhecia o futebol, Bossa Nova, capoeira, Rickson Gracie… Na minha cabeça, o Brasil sempre se destacou nos esportes, o vôlei é incrível e o futebol não preciso nem repetir. Da música brasileira, eu escutava Bossa Nova de vez em quando. Fora isso, tinha a imagem do Carnaval e do samba lá do Rio, o que me passava a imagem de um país muito alegre e divertido.

ReproduçãoNobuo durante a entrevista para a Henshin!H! - Como foi sua apresentação no México?

NY - Ah, sim. Fui ao México em maio e a reação da platéia de lá foi incrível. Em quantidade de público, não se compara ao Brasil, mas em matéria de energia de cada um, foi uma coisa impressionante. Achei o público brasileiro e o mexicano muito parecidos, cada um quer se destacar na multidão e nos mostrar o quanto gosta de mim. Daqui a duas semanas eu também vou para a Argentina, mas não conheço nada de lá, ainda preciso estudar (risos).

H! - Já faz mais de 20 anos desde que cantou “Pegasus Fantasy” pela primeira vez, como se sente de estar cantando a mesma música depois de todos esses anos?

NY - Bom, é que eu gravei a música naquele época e eu deixei ela meio que de lado. A banda onde cantei, a MAKE-UP, por exemplo, já se desfez e não existe mais. Dez, quinze anos se passaram sem eu nem saber que o desenho animado fazia sucesso fora do Japão. A história de que o “Pegasus Fantasy” estava fazendo sucesso no México, no Brasil e em outros países eu só soube dessas coisas bem mais tarde. E isso foi algo bem bacana.

H! - Soube que não tinha interesse em ser cantor de animes songs?

NY - Não é que eu não queria, mas é que eu ficava confuso porque não conhecia essa área e não imaginava como poderia seguir essa carreira. Na época, haviam anime singers, cantores especializados em anime songs, como Ichiro Mizuki e, na minha cabeça, era um gênero cantado por esse tipo de profissional. Eu não conseguia imaginar como uma banda de rock poderia fazer sua carreira por aí.

H! - Quando foi que você se sentiu mais à vontade de cantar animes songs?

NY - Primeiro porque a música que minha banda tocava combinava com o clima que queriam em “Os Cavaleiros do Zodíaco” e não tivemos de fazer qualquer concessão ao nosso estilo. Mas o principal é que, mais tarde, o ambiente musical mudou e não havia mais a necessidade de ser um anime singer para cantar músicas temas de desenhos animados. As pessoas passaram a aceitar gente de fora cantando músicas de anime. Foi aí que me convenci que poderia fazer uma carreira junto com músicas de anime sem ter de mudar nada daquilo que eu já faço. Essa mudança de mentalidade geral é recente.

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