Entrevista exclusiva com Koji Wada

Em sua quarta visita ao país, o cantor do tema do anime “Digimon Adventure” falou com a Henshin!

por Arnaldo Oka
20.08.2008
Arnaldo Oka“Ainda quero poder interagir em português com o público”

Koji Wada é cantor e estreou com a música tema do anime “Digimon Adventure”, em 1999. Desde então, cantou praticamente todas as músicas temas da série Digimon. Já esteve no Brasil três vezes, só em 2007. Em julho cantou no Super Friends Spirits, em São Paulo. Em outubro, voltou a São Paulo e se apresentou em palcos gaúchos para as comemorações do dia das crianças. Em dezembro, foi escalado para cantar no Rio de Janeiro, no YES (Yamato Music Station), durante o evento Anime Family. 


Confira entrevista exclusiva a Henshin!:

H! - O que está achando de sua nova vinda no Brasil e o que acha da expansão da cultura do anime e do mangá no Brasil?

KW - Contando esta vinda ao SANA, é a quarta vez que eu venho para cá. O país é longe, mas me sinto próximo daqui. É como voltar a um lugar de que sinto saudades. Outros colegas já tinham vindo anteriormente ao Brasil, um país que fica do outro lado do globo, mas era difícil de absorver o que eles me contavam. Isso só mudou depois de vir pessoalmente. Eu fiquei assustado com o que encontrei. A “realidade” existente aqui é diferente da japonesa e fiquei com vontade de transmitir o que encontrei aos japoneses. Por exemplo, quando olhamos notícias de um evento como o SANA na rede, as pessoas, a agitação, os cosplayers, não dá para entender direito tudo o que se passa. O vídeo na tela de computador é pequeno demais para transmitir tudo. Eu sinto que nós, que viemos aqui, temos a responsabilidade de contar aos nossos conterrâneos, o que encontramos e vimos. A minha preocupação agora, que vim pela quarta vez, é tentar descobrir um meio de transmitir minha experiência aos japoneses de alguma forma criativa.

Arnaldo OkaH! - O que conhece da cultura brasileira?

KW - Antes de vir, o Brasil para mim era apenas o país do futebol, do samba e, como adoro artes marciais, o país dos lutadores tipo: Gracie, Silva, Filho, Nogueira. Era um país muito distante da minha realidade. Não é que nunca teve um brasileiro ao meu redor, mas quase nunca tive oportunidade de conversar com essa pessoa. Já, em matéria de música brasileira, eu gosto da Ivete Sangalo. Conheci a música dela quando vim no ano passado e fiquei emocionado com o talento dela.

H! - O que acha da reação do público quando canta as músicas de abertura do Digimon?

KW - Isso também tem a ver com o que falei anteriormente, sobre a realidade que encontrei fora do Japão. As minhas músicas são cantadas em japonês, e o povo daqui, de fora do Japão, cuja língua não tem nada a ver com a japonesa, acompanha, escuta, canta as músicas na língua original, e acho isso surpreendente. Sinto que não posso ficar indiferente à essa “realidade”… à essa ligação, essa união que se formou rompendo fronteiras. Eu sou um cantor de músicas de anime e os animes se espalharam pelo mundo, a conexão criada pelos animes me trouxe até aqui, e acho que, agora, é a minha vez de ser um mensageiro, a ponte de ligação entre o Brasil e o Japão.

H! - Você sempre gostou de animes e mangás?

KW - Eu sempre gostei de animes e mangás, desde criança, mas quando comecei a cantar, nem imaginava que fosse virar cantor de anime songs. Há coisas que a gente só descobre fazendo. Imagine só, se eu não cantasse as músicas do Digimon, eu não teria vindo ao Brasil. A vida é imprevisível.

H! - Existe alguma mensagem que você quer passar para as crianças com a sua música?

Arnaldo OkaOs diversos protagonistas da série Digimon. Koji Wada cantou praticamente todas as músicas temas.KW - Bem, eu sinto que as crianças japonesas estejam se desviando para um lado estranho… Por exemplo, eles falam que não têm sonhos. Existem muitas crianças que não conseguem enxergar um futuro concreto ou achar um objetivo na vida. O estresse gerado por essa falta de objetividade explode em forma de violência e casos de polícia. E fico pensando se, através de meu show, da letra, da melodia, não daria para ajudar a dar uma força para elas. Uma criança que tinha uns 12 anos quando eu cantei a primeira abertura do Digimon volta para assistir meu show aos 20 anos e isso me dá a esperança de que ele tenha captado algo no passado e que isso seja uma resposta positiva ao meu trabalho. Queria poder estender isso para um palco ainda maior e que os anime songs ajudem a promover a paz no mundo.

H! - Conte-nos sobre seus projetos futuros

KW - Eu vou lançar um mini-álbum chamado “ever” no dia primeiro de agosto. Espero que vocês possam ouvi-lo (risos). Agora, falando de um sonho pessoal meu, eu queria fazer mais shows pelo mundo todo.

Eu acredito que o Brasil está sendo a janela de nosso trabalho (anime singers) para o resto do mundo. Estamos indo nos apresentar em diversos países: Espanha, México, Taiwan, Tailândia… o começo de tudo isso foi o Brasil. O Brasil nos abriu a oportunidade para ir a outras partes do mundo. Eu não me contento em vir 4, 5 vezes aqui. Quero poder vir 20, 30 vezes. Ainda quero poder interagir em português com o público, mas preciso estudar mais (risos). Conto com a ajuda de todos para que esse laço de amizade se fortaleça ainda mais.

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Rio de Janeiro - 5 a 28 de novembro
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