O Fantástico Jaspion!

Recorde as batalhas do herói contra Satã Goss

por Clarence Arquette
26.11.2007

Após duas décadas com o melhor do tokusatsu sendo exibido na TV brasileira, a partir dos anos 80 o gênero começou, pouco a pouco, a ser abandonado pelas emissoras. Ultraman e O Regresso de Ultraman haviam desaparecido junto do cancelamento da TV Poww e Spectreman dava seus últimos sopros de vida no também moribundo programa do Bozo no SBT.

Por sua vez Ultra Seven teve seu horário nas manhãs da TV Record comprado pela Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor R.R. Soares. Já Robô Gigante e Vingadores do Espaço já tinham saído do ar ainda no começo da década.

Em uma época que não existia internet, nem TV a cabo e importar uma fita de vídeo original do Japão custava os olhos da cara e mais um rim – além de levar um século até a encomenda chegar (caso a carga não caísse do navio) – o horizonte que surgia para o tokusatsu no Brasil, assim como hoje, era dos mais negros.

Mas tudo começou a mudar em 1986, quando a Everest Vídeo (a mesma que mais tarde se tornaria a hoje extinta Tikara Filmes) lançou diretamente em vídeo duas novas séries até então desconhecidas pelos brasileiros: O Fantástico Jaspion e Esquadrão Relâmpago Changeman. O metal hero e a turma de uniforme collant colorido não só deram novo fôlego ao gênero no país como lançaram uma febre nacional por séries tokusatsu.

Graças ao sucesso de Jaspion e Changeman, outros heróis deram as caras na TV brasileira – vide o trio de policiais espacial Gaban, Jiban e Sheider – Sharivan, Jiraiya, Metalder, Bicrossers, Spielvan (chamado na época de Jaspion 2), Black Kamen Rider, além de várias outras equipes de Super Sentai.

Gigante Guerreiro Daileon!

No quesito sucesso, não tem para ninguém: até hoje Jaspion é o preferido entre os fãs de tokusatsu que na infância não perdiam um dos 46 episódios do herói na telinha da saudosa TV Manchete.

A série produzida pela Toei Company, entre 1985 e 1986, narrava as aventuras do herói de gosto duvidoso para penteados em sua missão na Terra: encontrar as crianças escolhidas por Deus e assim localizar o lendário pássaro Dourado – na verdade a arma definitiva para Jaspion acabar com seus grandes inimigos, o imponente Satã Goss e seu filho MacGaren. Para tanto, o herói contava com a ajuda da andróide Anri, da mascote Miya e, claro, do poderoso Gigante Guerreiro Daileon (a “nave-transformer” onde Jaspion fora criado pelo sábio Edin).

Missão cumprida, o herói retornou para o planeta de seu criador levando consigo um pequeno bebê alienígena cuja energia fora de suma importância para Jaspion derrotar Satã Goss.

Fora do ar já há um bom tempo desde sua última – e incompleta – reprise nas tardes da TV Record, Jaspion foi uma das séries de maior sucesso exibidas no Brasil e uma das que mais deixou saudades.

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