:: Vídeo: tem plaquinha pra tudo!
:: Fotos: confira várias formas de usar as plaquinhas!

Danielly é fã das plaquinhas
Quem freqüenta as famosas convenções de anime e mangá já está acostumado com a cena: centenas de pessoas passeando pelos corredores, salas e pavilhões segurando plaquinhas de cartolina e madeira com mensagens escritas à caneta. Os usos são diversos: encontrar amigos conhecidos apenas pela internet, pedir dinheiro e abraços, comentar sobre a “vida” desse ou daquele personagem e até mesmo paquerar.
Genma, de Ranma 1/2As origens do fenômeno são incertas. Muitos dizem que os fãs começaram a escrever suas mensagens em folhas de cadernos e a levá-las para os eventos para imitar o personagem Genma, do mangá Ranma 1/2. Outros preferem apontar o personagem da Looney Tunes, Willie E. Coyote, como fonte inspiradora. Independente de como começou, o que se sabe é que a prática dos fãs de anime e mangá brasileiros foi ficando cada vez mais séria e profissional ao longo dos anos. Hoje, até mesmo palavras em japonês e desenhos as ilustram.
Edi Carlos Rodrigues, do Departamento de Marketing da Editora JBC, conta que as plaquinhas propriamente ditas surgiram no ano de 2004, fruto de uma ação conjunta entre a editora e a empresa alimentícia Agronippo, fabricante de uma bebida que também faz sucesso entre esse público. “Desenvolvemos uma plaquinha básica, com papel cartonado e uma madeira para segurar. A decisão foi um sucesso e elas se tornaram um canal de comunicação dos otakus nos eventos”, comenta.
Coiote seria o inspirador delas?
A idéia pegou e as plaquinhas foram evoluindo, transformando-se em verdadeiras lousas dupla-face com apagadores, canetas coloridas e etc. Hoje elas são até comercializadas. Em um dos últimos eventos de anime do mês de julho, podia-se comprar por cinco reais a normal e seis a dupla-face.
Segundo Sérgio Peixoto, coordenador do AnimeCon e organizador do AnimeABC, as plaquinhas já viraram um elemento cultural. “O fã usa as plaquinhas para se identificar com outros admiradores da cultura japonesa e criar sua própria identidade naquele ambiente”.
Apesar do foco principal ser a diversão e a tiração de sarro, alguns fãs passam dos limites, levando organizadores de eventos a censurarem mensagens ofensivas nas plaquinhas, caso de convenções de grande porte como o Animecon, em São Paulo, e o Kodama, em Brasília. Peixoto, um dos que concordam com a decisão de proibir plaquinhas de caráter ofensivo, diz que a medida procura manter um clima agradável dentro do ambiente no qual se desenrolam os eventos. “As plaquinhas ofensivas têm que ser coibidas. Quem está lá dentro quer se divertir e ficar numa boa e não ler dizeres chulos”.
Meio de comunicação e expressão, vontade de aparecer, criação de uma identidade ou simples curtição, o fato é que as plaquinhas dominaram o cenário das convenções de anime e mangá de todo o país, e a tendência é de que cada vez mais elas deixem de ser simples complementos e se tornem verdadeiras atrações dentro dos eventos brasileiros.
Colaboraram: Arthemis Whitaker, Carol Betioli e Caio Kenji.

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