Teatro popular inspirou Tezuka e hoje encena temas de mangás

Tarazuka é o nome da cidade em que o "deus do mangá" viveu e também do teatro popular que atrai milhares de pessoas por ano

por Redação Henshin
02.05.2007

ReproduçãoCartaz do teatro Tarazuka, composto apenas por mulheresNo lançamento do livro JAPOP – O Poder da Cultura Pop Japonesa, a autora e pesquisadora Cristiane Sato falou sobre cultura pop japonesa e também trouxe uma novidade ao público: o Takarazuka, o teatro musical feminino japonês, pouco conhecido no Brasil mas muito popular no arquipélago.

Takarazuka é o nome de uma cidade e nela viveu um dos ícones do pop japonês, Osamu Tezuka, considerado o deus do mangá (quadrinhos japoneses). Admirador das peças que chegam à média de 1,2 milhão de espectadores por ano, Tezuka começou sua carreira como ilustrador das revistas de divulgação desse teatro.

ReproduçãoA Princesa e o Cavaleiro, mangá de sucesso de Tezuka inspirado no TarazukaSegundo Cristiane, “ele enxergava os olhos das atrizes muito distantes, quase que um olhar frio, sem direcionamento. Daí, quando lhe foi encomendada uma história de romance com contexto feminino, veio a idéia de se inspirar no Takarazuka e nas atrizes que ele assistia sempre. A história se chamou A Princesa e o Cavaleiro, um grande sucesso até hoje. A diferença foram os olhos enormes, expressivos, uma característica de quase todos os mangás e animês feitos hoje”. O inverso também aconteceu: muitas das cenas e ambientes de mangás também são encenadas no Takarazuka.

“O auge do teatro foi em 1974, com a popularização de uma peça chamada Rosa de Versalhes, adaptação de um livro homônimo e que hoje é mangá e anime. Essa peça é encenada há mais de 30 anos.
Gerson ShiromaCristiane no lançamento de seu livro sobre cultura pop japonesaTambém influenciado pelos musicais de Londres, Paris e Nova York, esse teatro tem repertório que vai do musical ao melodramático, chegando a adaptar peças como E O Vento Levou…, Les Miserables, O Fantasma da Ópera e Rainha Elizabeth. Na mais alta hierarquia do Takarazuka estão as mulheres mais maquiadas e que costumam representar papéis masculinos.

“São cerca de 400 atrizes. Assim como outras personalidades do Japão, são cultuadas pelo público, tratadas como deusas, dão autógrafos. Não chegam a ficar ricas, mas têm grande sucesso. Geralmente ficam na companhia até se aposentarem para então saírem e se casarem, com uns 35, 40 anos”, conta a pesquisadora.

ReproduçãoUltraman, um dos marcos da cultura pop japonesa no BrasilPor que o pop japonês virou moda?

Nos anos 80, a cultura pop japonesa alcançou o mundo. “Tudo que é novo vira moda e mantém na tendência se for bem feito, bacana e um exemplo a ser seguido”, diz Cristiane. “Parece que tudo que vem do Japão é exótico ou diferente”, explica ela, apontando outra razão para o sucesso, que também conta com elevados investimentos no Japão e virou cultura de exportação para o mundo.

ReproduçãoOs Cavaleiros do Zodíaco, cujo auge foi nos anos 90Segundo a autora, os maiores ícones da cultura pop japonesa no Brasil são o Ultraman (live-action dos anos 80), o personagem Seiya, de Os Cavaleiros do Zodíaco (anime que atingiu auge nos anos 90), e o pioneiro National Kid (anos 60). “Foram os primeiros a realmente terem uma representatividade, uma importância”, diz. Já entre os produtos, ela destaca o miojo Lámen, que está desde 1965 no país.

Reportagem: Gerson Shiroma

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