Controvertido mangaká pelos seus gráficos cheios de violência e erotismo, Go Nagai é o reconhecido autor de vários personagens de quadrinhos como Getter Robo, Abashiri Ikka, Violence Jack, Cutey Honey, Mazinger, o popular Devilman, entre outros. Jurado no World Cosplay Summit 2006, nesta entrevista, ele conta sua opinião sobre o concurso e as perspectivas para o mercado de mangás e animes.
O que o senhor achou do concurso?
GN: Fiquei impressionado de como os cosplayers entram no mundo do anime reproduzindo suas próprias fantasias de forma fervorosa. É muito difícil pontuar as apresentações impondo diferenças entre uma e outra. Cada jurado teve sua própria opinião e o resultado foi esse que vocês viram. Gostaria que todos continuassem a admirar e se divertir com os animes.
Os mangás e animes japoneses têm conquistado muitos países…
GN: O mangá é uma cultura barata e por isso se desenvolveu mesmo em uma época em que o Japão vivia uma fase pobre. Hoje, cada criador com suas características diferentes consegue transmitir a cultura de forma divertida e interessante através dos quadrinhos. Em relação aos animes, o Japão tem criado uma variedade tão grande que só vendo não daria para dizer se a produção é japonesa ou não. Isso facilita a entrada em várias países. Nos filmes, dá para saber se uma produção é japonesa vendo os atores, mas no anime, os personagens ganham expressões variadas. É como se eles fizessem parte do país onde está sendo exibido.
Como foi a apresentação dos brasileiros?
GN: Vendo de perto, percebi pelas expressões dos rostos dos brasileiros que eles participaram com muita garra. Eles não vestiram somente a fantasia, mas se comportaram como se realmente estivessem participando da estória como personagens.
Quais duplas o senhor também gostou?
GN: Além dos três primeiros colocados, gostei muito da dupla chinesa. A interpretação foi muito boa, ultrapassando o que eu imaginava ver. Até estava torcendo para eles, mas parece que os outros três jurados não tiveram a mesma opinião. Todos os candidatos se apresentaram com vontade, e julguei com uma sensação de pena por ter de dar mais pontos para uns do que para outros.
O que o senhor acha do boom de cosplayers?
GN: Há 20 ou 30 anos, vi nos Estados Unidos muita gente se fantasiando de Batman ou Homem-Aranha e pensei na hora que seria muito bom se no Japão isso ocorresse também com os seus personagens. Com o passar do tempo, o cosplay se tornou bastante popular no Japão e fiquei muito contente.
Reportagem: Claudio Endo, Nagoya

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