Love Hina estréia hoje no Cartoon Network

Confira entrevista exclusiva com o autor do mangá

por Redação Henshin
11.04.2006

11_turma_lovehina.jpgLove Hina é uma comédia romântica que conseguiu fazer o que parecia impossível no universo shonen: agradar o público masculino. Mas para quem já leu o mangá (seus 28 volumes foram lançados pela JBC, no Brasil) é fácil entender o segredo do sucesso das desventuras de Keitarô: as gatas da Pensão Hinata que invadiram a vida do desajeitado vestibulando e o humor que o autor coloca na história fruto das encrencas que Keitarô se mete quase sempre sem querer com as beldades. Lançado no Japão, em 1999, o sucesso do mangá levou a cria de Ken Akamatsu (que hoje faz sucesso com outro título, Negima! Magister Negi Magi - também publicado no Brasil pela JBC) a conquistar o mundo: Estados Unidos, Reino Unido, França, Espanha, Cingapura, China, e México - todos já se divertiram com o romance às avessas entre Keitarô e a tempestuosa e curvilínea Naru Narusegawa. Quem não conferiu Love Hina em mangá terá a oportunidade de conferir a versão animada a partir da madrugada do dia 11 para o dia 12, às 0h30, no Cartoon Network. A série será exibida de segunda a quinta-feira neste horário.

A História

11_lovehina_1.jpgKeitarô Urashima é um sujeito muito atrapalhado. Aos 19 anos, jamais beijou uma garota e já bombou três vezes no vestibular da Toudai, a concorrida Universidade de Tóquio. Desiludido, ele sai de sua casa e vai para a Pensão de sua avó. O que ele nem imaginava era que o lugar havia sido transformado em um dormitório só para mulheres. Como sua avó decidiu dar uma volta ao mundo em busca de um novo amor (?!), o garotão acaba se tornando o gerente da Pensão Hinata. Não era bem esse o plano do vestibulando, mas acaba aceitando. Em meio a muita confusão, pouco a pouco, Keitarô vai conquistando cada uma das moradoras. Ao mesmo tempo, passa a se esforçar muito mais para entrar na Toudai e cumprir a promessa que fez a uma garotinha na infância: os dois entrariam juntos na Toudai e viveriam felizes para sempre.

Confira o perfil dos personagens de Love Hina aqui.

O Anime

11_lovehina_3.jpgA versão animada de Love Hina conta com 25 episódios, exibidos, pela primeira vez, na TV Tokyo, de abril a setembro de 2000. O estúdio responsável pelo desenho foi o desconhecido Xebec. Yoshiaki Ishizaki assina a série como diretor.

No Japão, ainda foi feito um episódio especial, considerado o vigésimo sexto da série - além da gravação do Love Live Hina, que contou com a participação de todos os cantores das aberturas e encerramentos da série.

Com o sucesso da animação, alguns movies foram feitos com o objetivo de acrescentar mais detalhes a história, que se desenrolou de forma diferente da cronologia do mangá. Christmas Movie (Especial de Natal), Spring Movie (Especial de Primavera), e as três partes finais do OVA chamadas Love Hina Again trouxeram um final a série animada, entretanto, deixaram muitas aventuras, presentes nos quadrinhos originais traçados por Ken Akamatsu, de fora.

Ken Akamatsu fala sobre Love Hina

Um dos mangás de maior sucesso da JBC, Love Hina estréia o anime agora no Brasil. Para coroar esta chegada, a Henshin conversou com Ken Akamatsu, o criador do mangá original que deu origem à série, que revelou tudo sobre a sua obra e seus personagens. Confira:

11_praia.jpgHenshin: Quando e por que você resolveu fazer mangá? Em seu site, está escrito que foi por
causa da Sailor Júpiter. Poderia nos contar essa história?

Ken Akamatsu: A história da Sailor Júpiter foi só uma brincadeira. Comecei a fazer mangá depois de entrar na faculdade. Na época, estava decidido a trabalhar em alguma atividade criativa. Então, entrei nos clubes de cinema, mangá e anime da faculdade. No final escolhi mangá que tinha mais a ver comigo.

H: Antes disso, você trabalhou com mangás?
KA: Eu só gostava de ler.

H: Quais os trabalhos e autores que mais lhe influenciam ou influenciaram?
KA: Meu traço foi muito influenciado pelo Izumi Matsumoto (de Kimagure Orange Road). Gosto muito também do Yoshiyuki Sadamoto (Evangelion) e Yoshihiro Togashi (Yu Yu Hakusho e Hunter X Hunter).

H: Antes de se tornar um autor profissional de mangá, você costumava fazer fanzines. Como era o trabalho? E por que optou em fazer paródias de personagens famosos em vez de criar suas próprias histórias?
KA: Antes de começar a fazer um trabalho original, pensei que seria útil aprender e praticar os tipos de traços que faziam sucesso entre os fãs. Aí resolvi começar fazendo paródias de trabalhos famosos.

H: Nessa época, você esperava se tornar profissional na área de mangás?
KA: Quando comecei a fazer fanzines, meu interesse estava mais voltado para a área cinematográfica… Não botava muita fé na área dos mangás.

H: Como foi a produção do fanzine da Chun-Li (Chun:Li Only)?
KA:Fiz esse fanzine quando estava no segundo ano da faculdade. A experiência foi muito divertida porque foi a primeira vez que senti a alegria de fazer uma revista sozinho.

H:Qual a sua opinião sobre o mercado de fanzines no Japão?
KA:O desenho dos fanzineiros japoneses ficou tão bom que, nos últimos tempos, não existe mais aquela surpresa de encontrar um trabalho legal.

H:Você continua fazendo fanzines?
KA: Continuo, mas parei de fazer paródias. Agora eu coloco as histórias de bastidores e compilo os model-sheets dos meus próprios trabalhos.

H:Você recomendaria às pessoas que querem ser desenhistas profissionais de mangá a fazer
fanzines?
KA:Sim, principalmente para que os novos desenhistas aprendam a fazer os traços de sucesso.

H: Qual das atividades você curte mais: fanzine, mangá profissional, desenvolvimento de game ou anime?
KA: Não sei dizer direito qual a minha preferida, mas posso afirmar que todas elas são trabalhosas (risos).

H: Você começou a trabalhar profissionalmente depois que ganhou o concurso da Kodansha. Como foi receber um prêmio tão importante como esse?
KA: Ganhar o concurso não garante que você comece a trabalhar profissionalmente. Na ocasião, me lembro que estava decidido a concentrar os meus esforços para trabalhar só em mangás.

H: Seu trabalho de estréia no mangá foi Hitonatsu no KIDS Game, o mangá que ganhou o concurso. Fale-nos um pouco sobre ele.
KA: Foi um mangá que fiz logo depois de entregar meu trabalho de formatura na fauldade - era uma época em que não tinha tempo para nada. Ser premiado logo depois de me formar foi muita sorte!

H: Como surgiu a idéia da história de Love Hina?
KA: Peguei um universo semelhante ao do game “Tokimeki Memorial” e adicionei novos elementos, como o vestibular da Toudai e o lance da hospedagem com águas termais.

H: Por que você escolheu Love Hina como nome do mangá?
KA: O título é uma abreviação de “Love! Hinata-sou” (Amor! Pensão Hinata ou numa tradução mais adptada, Hinata, A Pensão do Amor).

H: Existe algum personagem parecido com você na história de Love Hina?
KA: Ken Akamatsu: Sim, o Keitarô.

H:
Você se parece com ele em que sentido? Já vivenciou alguma situação parecida com as de Keitarô?
KA: O Keitarô é igualzinho a mim por ter sido reprovado no vestibular e por não fazer sucesso entre as garotas (risos).

H: Qual seu personagem preferido de Love Hina?
KA: É a Motoko. Ela possui uma aparência durona mas, no fundo, é uma pessoa doce que chora de vez em quando. Ela é uma gracinha!

H: O que você achou da versão anime da sua obra?
KA: Gostei bastante porque a qualidade da animação e do roteiro estão bem estáveis e não ficou com uma aparência de produção barata.

H:Você pretende retomar o mangá de Love Hina algum dia?
KA: Hmmm… Se os fãs pedirem… Quem sabe?

H: Qual é a sensação de saber que sua obra está fazendo sucesso no Brasil, um país tão distante do seu?
KA: Fico surpreso por saber que a cultura otaku do Japão seja aceita num país estrangeiro.

H:Você gostaria de conhecer o Brasil?
KA: Sim. Sou grande fã de bossa nova (Tom Jobim etc.). Gosto daqueles acordes de violão.

H: Poderia mandar alguma mensagem para os fãs brasileiros?
KA: Por volta de julho deste ano, a TV japonesa irá exibir um novo desenho animado, chamado Rikujou Boueitai Mao-chan (A Pequena Mao da Tropa de Defesa Terrestre), em que tive participação. Atualmente também estou preparando um novo mangá (que nada tem a ver com Love Hina). Se tiverem a oportunidade de assistir ou ler esses trabalhos, por favor, dêem uma conferida.

Conheça o pai do Keitarô

11_ken.jpgFormado em literatura pela Faculdade Chuuou, Akamatsu iniciou sua carreira nos mangás como fanzineiro. Já impondo seu estilo debochado, ele satirizava inúmeros personages famosos - sobretudo heroínas. A partir de 1989, começou a participar de concursos de mangás, promovidos pelas principais revistas do gênero. Em 1993 conquistou um prêmio no 50º Concurso de Novos Talentos da Shonen Magazine. Em 1998, já profissional, lançaa sua obra mais famosa: Love Hina. O autor das divertidíssimas aventuras de Keitarô, Naru Narusegawa e da turma da Pensão Hinata ainda fez uma ponta como dublador nos especiais de Natal e de Primavera de Love Hina.

Perfil Ken Akamatsu
Nascimento: 5 de julho de 1968
Local: Nagoya (Província de Aichi)
Principais obras: (em mangá)
Hito Natsu, no KIDS Game, 1993
AI ga Tomaranai (O Amor Não Pára), 1994
Itsudatte My Santa (Meu Papai Noel para Sempre), 1998
Love Hina, 1998
Site oficial:www.ailove.net

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