Yui, Noa de Patlabor, Gluko de Cavaleiros de Mon Colle, Trixie de Speed Racer, Ayami em Bycrossers, Gui em Capitão Planeta, Trini em Power Rangers e a atriz Lucy Liu. Iara Riça é especialista em dublar personagens de olhinhos puxados. Mas não é só isso. Iara também é conhecida por fazer as vozes da Cordélia no seriado Angel, da Harlequina em Batman, da Lidia de Beetle Juice, a La La dos Teletubies e a Florzinha das Meninas Super Poderosas. Veja só o que essa mulher de voz doce e meiga tem a dizer.
Como você entrou para a dublagem?
Foi bem sem querer. Na verdade eu tenho formação em faculdade de informática, mas sempre gostei de dançar e fazer teatro. Quando estava terminando a faculdade comecei a fazer um curso profissonal de teatro e aí fiquei sabendo do curso de dublagem do Newton da Mata. Fiz o curso mais porque todo mundo dizia que eu tinha facilidade para lidar com a voz. Passei uns dois anos trabalhando nos dois campos, na dublagem e em informática, mas agora me dedico exclusivamente à dublagem.
Você tem jeito para fazer personagens orientais ou é apenas coincidência você ter feito tantas?
Dizem que minha voz é boa para japonesinhas. Disseram que minha voz é doce, mas ativa, talvez seja por isso. Também tem o meu sorriso. Eu rio muito e essas personagens costumam ser bem sorridentes. Sempre que eu faço teste para dublar alguma japonesa eu passo, é impressionante. Ah, e acabei de dublar o novo longa de Pokémon.
E você gosta de fazer essas personagens?
Eu adoro!
Como foi fazer Pokémon?
Eu nunca tinha feito esse desenho, porque ele é dublado em São Paulo, só os longas vêm para cá, não sei por quê. Dublamos lá na Delarte e eu fiz uma menina que tem dupla personalidade. Ela finge que é boazinha usando o nome de Domino, mas depois revela ser a Black Tulipe, uma espiã do mal. Adorei fazer. Na verdade gosto de tudo que eu faço, sempre me apaixono por tudo.
Como é dublar Corrector Yui?
Já estamos dublando o final do segundo ano. E eu estou adorando. Gosto muito do jeito dela de querer fazer tudo ao mesmo tempo e não ter medo de nada. Apesar de ser uma garota, ela não tem medo de perder e isso compensa a sua inexperiência.
E o que você mais gosta na Noa?
O amor à profissão. Ela corre atrás de tudo que quer, já passou por muitas dificuldades mas nunca desiste. Ela é muito empolgante, persistente, tem garra. É parecida com a Yui, só que um pouco mais madura. Aliás, outra coisa que elas têm em comum é a dificuldade em lidar com os computadores.
Foi difícil fazer a Trixie já que Speed Racer é uma série consagrada e que já havia sido dublada?
Foi emocionante porque eu já conhecia a série. É muito diferente dublar um desenho que fez parte da sua infância. Também tive muito respeito porque sabia que já tinha sido feita pela Nair Amorim. Eu tive um trabalho maior porque as bocas mexiam sempre igual, era difícil encaixar as frases. Eu e o Peterson (que faz o Speed), ficamos um tempão mexendo no texto para caber direitinho, ficar natural. O problema é que esses desenhos mais antigos não tinham a preocupação de fazer as boquinhas mexerem direito.
E como é a Gluko de Cavaleiros de Mon Colle?
Eu tô adorando. Ela é diferente de tudo que eu já fiz. Ela é vilã, mas é atrapalhada. É muito legal que os outros vilãos sempre se dão mal e ela se dá bem. Ela é meio bobinha, não tem nada de mal, acho que ela nem sabe o que tá fazendo no meio dos vilões. Geralmente me dão as mais bonitinhas para dublar, mas eu gosto de fazer as diferentes. É um desafio.
E como foi a experiência de Bycrossers?
Foi um dos meus primeiros trabalhos. Acho que foi o primeiro personagem fixo que eu consegui. Eu tremia muito no começo. E adorei fazer, eu chegava em casa e assistia. Cheguei a gravar um montão de fitas com os episódios.
Qual a personagem que você mais gostou de dublar?
Ah, tem tantas… difícil escolher. Eu gosto muito da Yui, da Noa, da Lidia do Bettle Juice, de Teletubies e da Lucy Liu. São meus xodós. Dos seriados, adoro a Cordélia.
Você já pensou em largar a dublagem para voltar à informática ou para fazer qualquer outra coisa?
Eu nunca pensei em largar. Mas sou apaixonada pela dança. Danço desde pequena e hoje faço dança de salão. Mas não é profissional, é só pelo prazer. E até ajuda no meu trabalho, porque me relaxa.
Você aconselha outras pessoas a fazer como você e largar outras ocupações para se dedicar à dublagem?
Não sei se hoje eu recomendaria. Quando eu entrei na dublagem, há doze anos, estavam precisando de gente nova. Hoje o mercado está cheio. Também é preciso lembrar que é preciso ser ator, fazer um curso de teatro e pegar o registro. Depois é legal fazer um curso de dublagem. Mas isso não é garantia de trabalho. Não se pode achar que vai fazer o curso e logo começar a dublar bastante e conseguir viver disso. A carreira está saturada, até profissionais mais antigos estão sem trabalho. Também tem que se lembrar que a dublagem é um trabalho sério, você tem que estar disposto a trabalhar muito. Tem gente que acha que só porque imita vozes pode dublar, mas não é uma brincadeira.
Claro que tem o lado bom, o trabalho é muito legal.
Ouça uma mensagem da Iara para os internautas da Henshin. (MP3)



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