Wendel Bezerra - dublador Super Saiyajin

Conheça a voz do Goku

por Redação Henshin
20.07.2005

050720_wendellbezerra.jpgWendel Bezerra praticamente nasceu dentro dos estúdios de dublagem. Já aos oito anos de idade, sem sequer saber ler, ele já estava dublando. Hoje aos 26 anos, como não poderia deixar de ser, Wendel é um dos principais dubladores de São Paulo e do Brasil. Ele recebeu a reportagem da Henshin nos estúdios da Álamo, onde é coordenador e diretor de dublagem, e contou um pouco mais sobre sua carreira, o prazer de fazer Goku e de como ele deixou de ser o Seiya em Cavaleiros do Zodíaco

Quando você começou na dublagem?
Eu considero a partir de 82, quando comecei a trabalhar mesmo. Pouco tempo depois comecei a fazer o Jayme, o irmão da Vicky em Super Vicky e depois não parei mais. Nesta época eu tinha uns 11 anos, mas comecei com oito anos - eu nem sabia a ler e já estava dublando.

Quais os principais personagens que você fez depois de Super Vicky?
Depois da Super Vicky, fiz o Bud Bundy em Um Amor de Família e o Wayne, o irmão do Kevin em Anos Incríveis. Eu adorava fazer esses dois personagens e se me chamassem para fazê-los de novo faria de graça.

E os mais atuais?
Hoje faço o Bob Esponja, que é outro personagem que eu dublaria de graça. Foi legal fazer esse personagem por que foi a primeira vez que pude fazer uma voz mais caricata. Faço também o Riggins na série Starship Troopers. Entre os atores que tenho feito estão o Edward Norton, o Brendan Frasier, Collin Haim, Leonardo DiCaprio entre outros.

Qual foi a primeira série japonesa que vovê dublou?
Foi o Jaspion. Dublei quase todos os episódios da série dele. Eu não tinha nenhum personagem fixo, mas sempre fazia uma das crianças que aparecia perdida ou fugindo de algum monstro. Teve um episódio que nunca esqueci, por que eu tive que falar um monte de vezes o nome do monstro que era incrível: Namaguideras. Ele parecia um cachorrão e quando ele morria, o menino que eu dublava falava “Não morra Namaguideras… Não me deixe Namaguideras…”. E era um nome supercomplicado de se falar, e eu pensei que eu não ia conseguir fazer, mas consegui de cara.

Teve mais alguma série que você tenha feito da época do Jaspion?
Fiz também o Blue Mask, no Maskman. Nem lembro da série, só lembro do meu personagem. Nesta época haviam poucas crianças que dublavam, então eu fiz a maioria das séries japonesas da época do Jaspion e do Changeman. Todo japonesinho de meinha soquete, shortinho apertado, camisa pra dentro da calça e chapeuzinho era eu quem fazia. (risos)

Por que você não fez nenhum personagem principal em Cavaleiros do Zodíaco?
Nos Cavaleiros do Zodíaco aconteceu uma coisa engraçada. Quando começou a ser dublado lá na Gota Mágica o Baroli, que dirigiu a série, me chamou para fazer a série. Só que foi em uma época em que eu estava dublando pouco por que eu estava fazendo muitos shows. Então eu falei para o Baroli que eu não iria aceitar porque fiquei com medo de furar os prazos de entrega dos episódios dublados.

Você sabe qual personagem você iria fazer?
Acho que ia ser o Seiya. Eu tô chutando, mas pela faixa da minha voz que é parecida com a do Hermes* acho que seria o Seiya. Talvez eu fizesse o Shun, que o Ulisses** fez. * Hermes Barolli, o dublador do Seiya. ** Ulisses Bezerra, o dublador do Shun e irmão do Wendell.

Mas você acabou fazendo um Guerreiro Deus?
Depois que o desenho estourou aí eu fiz o Fenrir, fase da Hilda. E deu pra fazer legal a participação dele. Eu fiz toda a participação dele em um dia.

Você participou de mais alguma dublagem na Gota Mágica?
Fiz o Super Human Samurai. Nesta época também fiz na Álamo uma série horrível chamada Os Jovens Guerreiros Tatuados de Beverly Hills.

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E como pintou o Goku em sua vida?
A série Dragon Ball Z estava aqui e precisava fazer teste pars os personagens. Eu fiz o teste e o pessoal da Bandeirantes me escolheu. Eu ainda pensei “Pô, desenho japonês… eu acho que não vou gostar”. Mas eu gostei muito do Goku. Ele é engraçado, atrapalhado, meio xarope e não é do tipo de heroizinho metido. Tem até um episódio que ele enfrenta o Capitão Ginyu e começa a sacanear o cara por causa da coreografia que ele fazia antes de lutar.

Qual o golpe do Goku que você mais gosta?
É o Kame Hame Ha. O Genki Dama eu acho sem graça e muito demorado.

Qual sequência de Dragon Ball Z você mais gostou até agora?
Gostei muito das batalhas com o Vegeta. Ela dura séculos, até o Kurilin dá uma ajuda e o Gohan é transformado em macaco gigante. Depois quando estava pronto para o matar o Vegeta, Goku deixa que ele viva para enfrentá-lo quando estivesse recuperado. E gostei muito daquela verdadeira epopéia contra o Freeza.

E a Saga do Cell?
A Saga do Cell eu não gostei muito. Achei que não foi muito emocionante, prefiro mesmo a do Vegeta e a do Freeza.

Dragon Ball Z tem uma legião enorme de fãs, como vocês estão fazendo para não errar nomes e golpes dos personagens para não haver reclamações?
Quando Dragon Ball Z chegou a gente teve essa preocupação de pesquisar os nomes e golpes dos personagens. E conseguimos pegar boa parte deles. Escapou uma vez que foi dito Guenki Dama e não Genki Dama e também o Dr.Gero que veio em espanhol com o nome Dr.Maki.

Houve alguma reclamação da sua dublagem do Goku?
Chegaram a falar dos gritos das lutas que no japonês eram mais fortes, que pareciam que os caras estavam dando a vida. A gente argumentou que os episódios vieram para cá em espanhol e não tínhamos a referência em japonês.

For a a voz do Piccolo que mudou logo no começo da série, houve mais alguma mudança de voz?
Em determinado momento na fase do Cell, a gente mudou a voz do Gohan. Ele deu uma crescida grande e não fazia sentido manter aquela voz de criança. Depois quando ele já está adolescente colocamos uma outra voz.

Por que as vozes dos personagens usadas em Dragon Ball, na dublagem feita na Gota Mágica, não foram mantidas em Dragon Ball Z?
A gente sabia pouca coisa da dublagem feita na Gota. Acho que só sabíamos que a Noeli fazia o Goku criança. E também ninguém reclamou…

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Como é o seu relacionamento com os fãs do Goku?
Na verdade pouca gente sabe que sou eu quem faz o Goku. Eu já tinha ido em várias convenções com o Ulisses por causa dos Cavaleiros do Zodíaco, mas nunca havia participado. E eu tinha aquela invejinha saudável de querer estar lá no palco com ele. E agora que Dragon Ball Z pegou já fui em umas quatro e é muito legal. O pessoal vem falar com comigo, elogia o trabalho - que a maioria das pessoas nem imaginam das nossas dificuldades - e tudo mais. Teve também uma menina que me ligou aqui na Álamo e quando ouviu minha voz começou a gritar e chorar de emoção. Falou que adorava minha voz, que me amava… um barato! (risos)

Por que Dragon Ball Z - O Filme não foi dublado na Álamo?
O filme foi dublado nos Estúdios Gabia. Na verdade, ele veio para cá, só que a Álamo estava com muito trabalho e não daria para entregar o desenho dublado no prazo que o cliente queria. Então a gente passou para o Gabia toda a lista dos dubladores de cada personagem.

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