Sheila Dorfman - Ryoko, a Princesa Guerreira

Apaixonada pela Ryoko e pelos desenhos japoneses

por Redação Henshin
20.07.2005

050720_sheiladorfman.jpgVocê já fez alguma outra série japonesa fora Tenchi Muyo?
Não, esse foi meu primeiro e único anime. E foi uma supresa, porque fez muito success e eu acabei tendo contato com esse mundo que eu não conhecia. Eu recebi muitos e-mails de fãs, participei de eventos e palestras. Me surpreendi com esse retorno que a gente tem do público de animes.

E que outros personagens você já dublou?
Eu faço as vozes da Xena, da Mônica do Friends e da Jane do Mad About You. Também tem a Mística no novo desenho dos X-Men, a Tia Zelda no seriado e no desenho Sabrina.

Como você foi chamada para fazer a Ryoko?
A Ryoko foi uma história engraçada. Há um tempo a gente fez o teste para um desenho japonês, mas não saiba nada do que seria. Bom, a gente chegou lá no estúdio para o teste e viu aquele monte de “bonequinhos”. Todos os dubladores fizeram umas vozes mais infantis. O teste ficou arquivado por muito tempo, uns 3 anos, e não recebemos resposta. Daí um dia, chegaram e me perguntaram se eu lembrava daquilo e disseram que o desenho tinha chegado. Só que eles não sabiam mais quem tinha feito teste para que e nem quem tinha passado para qual papel. Daí os personagens foram redistribuídos, vendo qual voz combinava com qual personagem. Começamos a dublar Tenchi Muyo achando que o desenho era infantil. A Bandeirantes comprou o desenho como sendo para crianças, tanto que ele passa no Band Kids, e queria que fizéssemos vozes infantis. Mas a gente foi percebendo que não dava para fazer assim, eles não são crianças, o desenho não é para crianças. Por conta própria, os dubladores começaram a procurar mais informações sobre o anime e também começamos a receber e-mails de fãs que nos ajudaram. Com isso resolvemos amadurecer as vozes dos personagens. Tentamos encontrar um meio-termo, nem muito infantil nem muito adulto. E parece que deu certo, já que a Band não reclamou.

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E você gosta da Ryoko?
Eu adoro ela. A Ryoko é o máximo, muito debochada. Mas eu só gostei de fazer a personagem depois que entendi o desenho, à medida que fui entrando no universo do anime.

E você acha que o Tenchi deveria ficar com a Ryoko ou com a Aeka?
Com a Ryoko, não tenho a menor dúvida! A Aeka é muito chata!!!

Você gostou de fazer anime? Pretende fazer outros?
Achei muito legal, se for convidada para fazer outros animes, com certeza vou aceitar. Na verdade já fui meio que convidada para fazer outro. Um diretor já veio me perguntar sobre minha disponibilidade de horário, porque parece que está vindo um anime novo no estilo Digimon. Mas ainda não sei o nome, quando vai ser nem nada.

Eu fiquei sabendo que você foi convidada para fazer a Capitã do Esquadrão Super Guts em Ultraman Dyna, é verdade?
É sim. Nossa, eu já tinha até me esquecido! Já faz um tempo que eu fiz o teste, mas estou louca para que chegue logo.

Você acompanhada os seriados e desenhos que você dubla?
Eu tenho muito pouco tempo, mas faço questão de ver meus trabalhos. A gente faz em um ritmo de trabalho industrial e na hora a gente não vê o resultado porque não dublamos um episódio inteiro de uma vez. Então eu tento gravar tudo que eu faço e depois assistir. E também vou toda semana ao cinema, então é muito difícil eu dublar um filme que eu ainda não tenha visto. Isso ajuda muito na hora da dublagem, pois eu já tenho o personagem na cabeça.

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Você sempre quis ser dubladora ou acabou nisso por acaso?
Mais ou menos. Quando eu era mais novinha achava muito interessante ficar vendo os filmes, os desenhos e saber que aquelas não eram as vozes originais. Mas eu nunca achei que ia acabar fazendo isso. Na verdade eu fiz faculdade de engenharia, me formei, fiz mestrado e tudo. Mas, nas horas vagas eu me dedicava à arte. No meio do mestrado, eu percebi que não era aquilo que eu queria fazer para o resto da minha vida e comecei a fazer curso de teatro, encenar peças e acabei me envolvendo com isso. Fiz bastante teatro, televisão e até tentei entrar para a dublagem, mas esse meio, há um tempo atrás, era muito fechado. Bom, mas um dia eu vi no jornal o anúncio de um curso de dublagem, era um dos primeiros que foi dado aqui no Rio, e resolvi fazer. E ao longo desse curso eu percebi que eu tinha jeito para a coisa, que aquilo para mim era muito fácil. Quando terminaram as aulas, alguns alunos foram convidados para trabalhar na Hebbert Richers, eu fui um deles. E aí nunca mais parei.

Você pretende um dia voltar a fazer teatro ou trabalhar com engenharia?
Não. Quando eu comecei a dublar, todas as outras coisas ficaram em segundo plano. Eu me sinto completamente realizada na dublagem. Se você quer trocar uma idéia com a Sheila, o e-mail dela é dorfman@bridge.com.br

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