Noeli Santisteban - o pequeno Goku

Direto dos EUA, conversamos com a dubladora original do Goku

por Redação Henshin
20.07.2005

050720_noelisantisteban.jpgAfastada desde 1998 da dublagem, quando se mudou para os Estados Unidos, Noeli deixou saudades, principalmente por ter cedido a sua voz e seu talento para dar alma a alguns dos personagens mais queridos dos animes. Entre eles estão Goku (ainda criança da versão de Dragon Ball que foi exibido no SBT), a Marine (de Guerreiras Mágicas), o Fly (de Fly - O Pequeno Guerreiro) e a sereia Tetis (de Cavaleiros do Zodíaco). Atualmente, Noeli atua junto a grupos de defesa de animais, Nesta entrevista exclusiva da Henshin, Noeli fala da saudades que tem do Goku, de seus antigos colegas de dublagem e muito mais

Quando e como você começou a dublar?
Comecei dublando músicas para versões de filmes e desenhos infantis, no final dos anos 80. Um dia, na extinta dubladora S & C, fui convidada pra fazer um teste para a voz da Olívia Palito, estrelado pela atriz Shelley Duval. Fui aprovada e a partir daí, só parei de dublar em 1998, quando mudei para a Califórnia

Qual foi o seu primeiro personagem fixo?
Acho que foi a Olívia. Logo após o filme passei a dublá-la no desenho do Popeye também. Lembro também que fiz um dos Ursinhos Carinhosos, bem no começo da minha carreira como dubladora.

Atualmente você ainda está dublando?
Não. Meu último trabalho foi a série Bibi Meia-Longa, no estúdio Megasom, em 1998

050720_noelisantisteban_02.jpgVocê foi a primeira dubladora do Goku, ainda em Dragon Ball (que não fez muito sucesso na época). Como é saber que hoje Dragon Ball Z é uma febre comparada a de Cavaleiros do Zodíaco?
É uma surpresa boa. Particularmente gosto mais do Dragon Ball que dos Cavaleiros.

Você gostou de ter dublado o Goku criança?
Adorei! Não só pelo personagem, mas pela relação de amizade que se estabeleceu entre os atores que participaram da série, de quem tenho muitas saudades. Dávamos boas risadas com o Goku e sua turma.

A primeira série Dragon Ball não foi dublada até o final. Você gostaria de ter feito o Goku até o final desta fase?
Sim. Tenho muita curiosidade em saber aonde vai dar a história. Ainda não tive oportunidade de ver a série completa.

Este ano virá para o Brasil Dragon Ball GT. Nesta série, Goku volta a ficar criança como na primeira série que você dublou. E a primeira série Dragon Ball está sendo redublada. Há alguma chance, ou você gostaria, de voltar a fazer o personagem?
Eu gostaria muito de fazer o Goku novamente e estaria à disposição do estúdio, caso pudesse fazer uma maratona e dublar todos os episódios em algumas semanas consecutivas. Mas sei que, embora possa haver boa vontade, não há essa disponibilidade nem por parte dos distribuidores, nem dos estúdios que dublam as séries. Uma pena.

O que você achava do Goku?
Ir para o estúdio dublar o Goku era um momento de pura descontração. Voltava a ser criança. Realmente foi um trabalho muito gratificante.

Na época de Dragon Ball, você também dublou o Fly. Como foi a dublagem desse personagem?
Gostava bastante do Fly, também. O Goku marcou mais porque foi mais longo.

O Goku e o Fly eram bem parecidos. Qual era o seu favorito?
Difícil dizer. Não nego que tenho uma queda pelo Fly, porque admirava a relação dele com os animais. Acho que todos nós, humanos e não humanos, precisamos aprender a viver em harmonia. Se você também acha importante lutar pelos direitos dos animais, visite a página abaixo e participe. Existem grupos muito sérios no Brasil, fazendo trabalhos maravilhosos, usando a internet como ponte: www.apasfa.org/quem/listas.html.

050720_noelisantisteban_03.jpgQuais são as suas lembranças da Marine, de Guerreiras Mágicas de Rayearth?
Sem pensar muito, o que me vem à mente, é o grito de guerra da Marine, as risadas no estúdio com o Baroli (diretor de dublagem da série), as pausas para o café, a Marli Bortoletto chegando e dando um abraço que só ela sabe dar e as risadas da Cecília Lemes, que fez a Lucy no anime. Acho que ando com saudades dessa turma…

O que você mais gostava nela?
A determinação com que comprava uma briga. Temos isso em comum.

E do Mokona?
Do Mokona me lembro sempre. Um dos meus animais é a cara dele.

Você também fez a Tetis em Cavaleiros do Zodíaco? Como foi participar de um anime que fez tanto sucesso na época?
Para dizer a verdade, só lembro da Tetis quando algum fã menciona. Gravei todas as falas dela em um dia, talvez dois. Foi tudo muito rápido. Vida de dublador é muito corrida, a gente mal acaba um filme começa outro, chega a trabalhar 12 horas num dia. Poucas vezes temos chance de acompanhar as séries que dublamos. Depois de uns anos, a gente começa a assistir a um filme na TV e de repente leva um susto, porque ouve a própria voz e nem lembrava que tinha dublado.

Você gostou de fazer a Tetis?
Gostei mais pela série do que pelo personagem em si, pois não foi possível conhecê-lo como gostaria.

Teve mais algum personegem japonês famoso que você tenha feito?
Teve? Vocês sabem mais do que eu! Dublei bastante desenho japonês, mas não lembro do nome. Ah, fiz a Zyocite na Sailor Moon.

E “não japonês”?
Entre meus favoritos: Betty Boop, Shelly (Parker Lewis), Marcie (Charlie Brown), Jane (Tarzan) e Piu-Piu (embora tenha dublado poucos espisódios)

Dreamland: uma pequena viagem ao anime e mangá
Rio de Janeiro - 5 a 28 de novembro
indicar imprimir
Copyright Editora JBC. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Editora JBC.