
Melissa Garcia faz parte de uma nova geração de execelentes dubladores paulistas. Em seu currículo constam personagens bem conhecidas pelos fãs de animes, como a explosiva Videl, de Dragon Ball Z, e a Sailor Mercúrio. Esbanjando simpatia, além de nos contar um pouco sobre seus trabalhos, Melissa também comenta o sucesso dos animes no Brasil e sobre a inevitável comparação entre a primeira dublagem de Sailor Moon, feita na Gota Mágica, e a atual, realizada na BKS.
Há quanto tempo você dubla? Como você começou?
Hoje tenho 21 anos, mas comecei a dublar com 17. Sempre fiz teatro e acabei me interessando pela dublagem. Foi aí que consegui uma lista de estúdios de dublagem e comecei um estágio de seis meses na Clone. Meu primeiro papel principal foi em Sinistro, onde fiz a Fiona, e no meu primeiro anime fiz a Skuld, de Oh! My Goddess.
Você faz a Amy de Sailor Moon. Como foi dublar uma personagem que já teve outra voz, no caso, a da Gilmara Sanchez?
Foi complicado. Eu não havia assistido ao desenho quando veio pela primeira vez, e só o conheci por causa de uma brincadeira com meu penteado - uma colega me disse meu cabelo estava parecendo com o da Sailor Moon. Então me convidadaram para fazer, foi aí que tive a idéia de pesquisar mais sobre a Amy na internet para melhorar o trabalho e acabei encontrando um monte de sites que falavam mal da atual dublagem de Sailor Moon. Teve alguns que até duvidaram da nossa capacidade de interpretação, fiquei chocada! Então entrei em contato com um site de fã que estava reclamando da dublagem e pedi informações para melhorar o trabalho.
Você entrou para o elenco de Dragon Ball Z como a Videl, como foi participar deste grande sucesso?
Já tinha ouvido falar muito de Dragon Ball e eu pensava: “Dragon Ball está na Álamo e eu trabalho tanto lá, por que ainda não dublei esse anime?”. Então. acabaram me convidaram para fazer uma pontinha a partir do capítulo duzentos como a Videl. Só que ela era uma personagem que apareceria mais vezes na série. O Wendel (o dublador do Goku) disse que eu tive muita sorte. Eu falei: “beleza! vou fazer Dragon Ball” e já fui pedindo todas informações para um amigo que é muito fã da série. Ele me passou muita coisa sobre a personagem - e isso me ajudou muito.
A Globo fez alguns cortes em Dragon Ball Z, entre eles a grande surra da Videl. O que achou disso?
Eu não fiquei sabendo, mas, mesmo assim, a Videl precisava apanhar tanto?! Se fosse só para sair do campeonato, precisava ser quinze minuto de porrada?!? Nesse capítulo eu chorei com a personagem. Para Globo, isso não é apropriado para o horário.
Qual o seu conceito sobre o desenho japonês?
Eu gosto muitos de animes. O desenho japonês trata de pontos muito polêmicos, e acho que o que está aí é para ser mostrado. Outro lance legal é que, na adaptação desses desenhos, muita coisa acaba se abrasileirando.
Apesar de você não ter participado de sua dublagem, sabia que o anime Power Stone foi censurado?
Acho que às vezes a mídia é muito hipócrita. As novelas falam sobre sexo e homossexualismo, e nem por isso deixam de passar. Para que esconder que existem duas Sailors que são namoradas?!
Você não acha que esses personagens podem influenciar as crianças negativamente?
Tem que ver para saber se tal coisa existe. Acho que não é porque a Sailor Urano é lésbica que ela deixa de ser a heroína. Isso acaba servindo de exemplo para criança, acho que eles vão ver que não precisam ter aquele preconceito todo com as pessoas. Além disso, passa tanta coisa pior na TV e as pessoas nem se preocupam - por exemplo, tem coisa pior que Carnaval?
Como foi fazer a Skuld de Oh! My Goddess?
Na verdade, eu desconhecia a importância da série. Estava mais acostumada com desenhos no estilo Disney. E o diretor Marcelo Campos (dublador do Trunks e do Mu de Áries) me falou que anime era diferente, para eu ir na manha. Então foi muito bom ter feito o trabalho com ele, pois me ajudou muito. Ele pediu que eu exagerasse bastante, porque no desenho japonês quando se chora é aquele rio de lágrimas. No fim, adorei fazer a Skuld, e quando cheguei na escola de teatro falei para os meus colegas: “gente, eu dublei um daqueles desenhos japoneses. Foi muito bom”.

Você está curtindo dublar a Erika de Medabots?
A Erika é uma moleca, e também a repórter da escola. É muito legal, só acho que é muito parecido com Pokémon, só que com robôs.
E como está indo a adaptação de Medabots?
Bom, este anime está chegando aqui pela primeira vez, com isso não vou correr o risco de falarem que minha voz é horrível. Medabots é dirigido pelo Márcio Araújo e ele está tomando muito cuidado. O desenho está em boas mãos.
O que você mais gosta de dublar, desenhos japoneses ou americanos?
Procuro gostar de todo trabalho que faço, por mais chato que seja. Eu gosto de dublar a Amy, que é uma menina toda certinha e que tem uma fragilidade: o desejo de ter um namorado. Já a Skuld é a loquinha e inventava um monte de coisa, era uma moleca. Mas os americanos também tem uns desenhos muito legais.
Você não acha que o anime mostra melhor a realidade humana?
As coisas no anime são colocadas mais abertamente, e eu acho isso muito válido. Agora, os desenhos americanos estão sempre envolvido com toda aquela magia dos contos de fadas - para eles deve ser tão interessante quanto os desenhos japoneses.
As vozes dos personagens no japonês parecem mais reais. No Brasil, por melhor que seja a dublagem, às vezes a interpretação fica um pouco artificial. Porque isso acontece?
Acho que os dubladores japoneses tem mais tempo para fazer o estudo dos personagens. Eu gostaria de fazer uma pesquisa antes sobre a personagem e até mesmo assistir a alguns capítulos com as vozes originais. Às vezes o diretor fala: “Agora a Videl vai gritar”, mas eu não sei porque ela está gritando. E isso compromete o trabalho final.
Dublar animes mudou algo na sua vida?
Bom, agora eu assisto desenho japonês sempre. Aliás, até tenho Locomotion, mas vi uma coisa que não é legal. Tem um desenho nesse canal que não é dublado aqui no Brasil e os fãs devem reclamar.
E qual anime que você mais gostou?
Eu era apaixonada pelos Cavaleiros do Zodíaco! Eu amava o Shiryu. Também curti muito as Pequenas Deusas, que são historinhas curtinhas.
Ouça o recadinho da Melissa para a galera da Henshin. (MP3)

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