Hoje diretora de dublagem, Marli Bortoletto já deu voz a vários personagens de animes. Mas ela é mesmo conhecida por ter sido a primeira voz da Sailor Moon. Nessa conversa ela nos conta um pouco sobre sua carreira e explica porque não está em Sailor Moon S e R.

Henshin: Quais séries japonesas você já dublou?
Marli: A primeira que eu fiz foi a Patrine. Depois veio a Sailor Moon, onde eu fazia a Serena. Também participei da redublagem do National Kid fazendo vários papéis secundários, dublei algumas coisas em Guerreiras Mágicas de Rayearth e fiz a Hilda em Cavaleiros do Zodíaco. Mais recentemente, eu dublei a Urd nos primeiros episódios de Mini Deusas e depois, quando veio o novo pacote de episódios, eu dublei e dirigi.
Sem ser japonês, eu faço a voz da Mônica, da Angélico do desenho Os Anjinhos, da Minnie e da Rose de O Mundo de Beakman.
Henshin: E desses personagens, qual foi que você mais gostou?
Marli: Ah, foi a Sailor Moon. Porque eu fiz por mais tempo e também porque ela é uma deusinha e ao mesmo tempo é humana. Ela erra, faz bobagem, morre de medo, chorar muito, se desespera. E não deixa de ser uma heroína.
Henshin: Você foi chamada para dublar a Serena em Sailor Moon R também?
Marli: Na verdade eu fui chamada sim, mas não pude pegar porque estava muito enrolada, dirigindo um monte de coisas em outra casa e não ia ter tempo. E não ia ficar ruim só para mim, mas para a BKS também, porque eu estava com muito pouco horário. Mas fiquei muito chateada, porque eu gosto muito da Serena, me apeguei muito a ela.
Henshin: A gente fez uma enquete no nosso site e a maioria esmagadora das pessoas disse que prefere a sua dublagem a essa atual. O que você acha disso?
Marli: Bem, eu fico muito orgulhosa em saber que o pessoal se lembra e reconhece o meu trabalho. Sinto que fiz um bom trabalho. Acho que a dublagem de agora perdeu um pouco porque na época que fizemos a primeira série da Sailor Moon quem dirigiu foi o Gilberto Barolli. E ele tinha muito contato com os fãs, com a imprensa, e aceitava sugestões. Assim ele manteve uma unidade nos nomes, nas palavras de guerra, nos bordões. No fim, todo mundo que fez a série se envolveu muito. Acho que é isso que faltou agora.
Henshin: E com os fãs, você tem bastante contato?
Marli: Tenho pouco, mas é por falta de tempo mesmo. Mas smepre que eu tenho contato é bem legal, porque eu fico sabendo da opinião das pessoas, recebo sugestões de como fazer melhor. O reconhecimento sempre é bom. E os fãs de anime tem um diferencial em relação aos outros fãs. Além de acompanhar a pessoa que gostam, colecionar coisas eles também são produtores de cultura, desenham, escrevem.

Henshin: Como foi que você começou a dublar?
Marli: Bem, eu dublo a voz da Mônica há 18 anos. Mas só fazia essa voz, só comecei a dublar pra valer há uns 12 anos, quando minha filha nasceu.
Henshin: E como você foi chamada para fazer a Mônica?
Marli: Eu fazia a Mônica no teatro e nas apresentações e aí criei uma voz para a personagem. Quando teve o primeiro filme da Turma da Mônica fizeram um teste e me chamaram para fazer dublar.
Henshin: Porque você não seguiu pela dublagem logo de cara?
Na verdade porque eu não sabia os caminhos, não sabia como funcionava. Também estava com muito trabalho no teatro. Só quando eu tive minha filha que precisei dar uma parada e resolvi tentar a dublagem.
Henshin: E hoje você dirige dublagens também, né? Como funciona?
Marli: Bem, antigamente o diretor de dublagem recebia o filme traduzido e se encarregava de preparar o texto, dividir em pedaços de 20 segundos, que a gente chama de anéis, escalar os atores, programá-los e acompanhar na hora da dublagem., Hoje em dia, o diretor recebe o texto, pode ou não escalar os atores e, no estúdio, procura a melhor adequação entre o filme, o texto e a interpretação.
Henshin: E na hora de escalar os atores, como você escolhe qual tem a voz mais adequada para cada personagem?
Marli: Hoje em dia, por causa da tecla SAP, quem escala procura uma voz parecida com a original. Mas esse não é o único critério. Também tem que levar em conta as características de interpretação de cada dublador. Não adianta ter a voz igual e não saber interpretar aquele tipo de personagem. Sempre a preocupação é se aproximar do que foi feito no original.

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