Shurato, Lyuma (Winspector e Solbrain), Trunks do futuro (Dragon Ball Z) e Yugi (Yu-Gi-Oh). O currículo de Marcelo Campos só tem feras do animes. Nesta segunda entrevista concedida à Henshin, ao lado do dono dos Estúdios Parisi, dono dos estúdios, Marcelo comenta sobre as dificuldades de dublar Yu-Gi-Oh e a sua expectativa quanto ao sucesso do novo anime.
Henshin: Como é voltar a fazer um personagem principal depois do Shurato, do Lyuma e até mesmo do Trunks?
Marcelo Campos: Isso mesmo. Fiz o Lyuma, do Winspector, e depois o Shurato, um herói nada perfeito. Me lembro que algumas vezes ele saía correndo de medo, era muito divertido. Já o Trunks eu nem sabia que iria se tornar um personagem fixo. De início não gostei do desenho porque a dublagem em espanhol era muito ruim e dificultava o trabalho, mas, com o tempo, comecei a gostar do personagem. Já o Yugi é um herói completo. Ele é um cara que tem o domínio do jogo. Às vezes ele perde, mas perde com a cabeça erguida.
Henshin: Você está fazendo tanto o Mota Yugi (aquele mais criança) quanto o Yami Yugi (que é mais herói), por que em Dragon Ball Z você também não fez o Trunks do futuro e o do presente?
Marcelo Campos: Eu até poderia ter feiro os dois, mas acho que foi um opção da Álamo. O Trunks começou bebezinho e depois apareceu de surpresa vindo do futuro. Mais tarde, o atual cresce e recebe a voz do Diogo Marques [que também faz o Ikki de Medabots], que é um menino prodígio. Eu acho que o máximo que minha voz poderia se encaixar é no timbre de voz de um personagem de 12 a 14 anos, e o Trunks aparenta ter uns 10. Com 30 anos eu perdi todo o reflexo que só uma criança pode fazer. Mas eu acho que em Dragon Ball Z precisava ser uma criança, o Trunks está muito novinho.
Henshin: Em Cavaleiros do Zodiaco você trabalhou com Mitologia Grega, no Shurato com a Hindu, em Dragon Ball Z é constante a presença de mitos chineses e em Yu-Gi-Oh temos a presença de elementos egípciois. Como você lida com tantas culturas diferentes que envolvem seus personagens?
Marcelo Campos: Foi muito legal fazer o Shurato. Eu já havia tido contato com a cultura Hindu em livros e com o filme Mahabarata. Por isso, acabei ajudando muito na direção da dublagem do anime. Os personagens tinham tudo a ver com os deuses Hindus. Em Cavaleiros, onde fiz o Mu de Áries, o Misty, o Aracne, o Dante e outros, também foi a mesma coisa. Já em Dragon Ball, eu tive muito pouco acesso à cultura chinesa, que ficava mais ligada à história do Goku. Agora em Yu-Gi-Oh, as coisa ainda não estão bem claras, mas o deu para perceber é que tem influências de outras culturas, tem até um persongem que se chama Pégasus, que por sinal os japoneses devem adorar. Essa variedade de informaçãos ajuda as pessoas a abrir mais a mente e se interessarem por outras coisas.

Henshin: Você acha que existe alguma semelhaça entre Pokémon e Yu-Gi-Oh?
Parisi: Uma coisa legal entre os dois anime é que os personagens não se agridem ou melhor não tem contato físico. Qualquer diferença entre os personagem é resolvida na forma de um jogo, onde monstros ou cartas poderão ser derrotadas. E depois tem toda uma lição de moral sobre não quebrar as regras.
Marcelo Campos: A ação e a batalha correm em campo, sem que nenhuma das crianças se toquem, isso é muito legal.
Henshin: Quais são os principais dificuldades que você enfrentou na dublagem de Yu-Gi-Oh?
Marcelo Campos: Cara, quando o Yami Yugi resolve estrelar o episódio inteiro fica um pouco difícil para mim. Eu tenho que forçar mais a minha voz e eu não consigo fazer aquelas vozes falsas - ao contrário do que outros dubladores costumam fazer. Então, eu tento ser o mais natural possível.
Henshin: Eu percebi que os personagens de Yu- Gi-Oh “falam” muito na forma de pensamento. Isso não estranho?
Marcelo Campos: Eu acho um bom recurso. Os personagens estão em um jogo de carta e com isso eles arquitetam os seus planos no pensamento. Com isso os telespectadores se tornam cúmplices do personagem, porque eles também sabem o que está acontecendo. Para o anime isso é legal.
Henshin: Você acha que houve alguma mudança na dublagem depois que os dubladores ficaram conhecidos por seus trabalhos em animes?
Marcelo Campos: Os dubladores ganharam mais respeito, houve um interesse maior da mídia por esses profissionais, e isso faz com que valorizem nossa profissão. Assim também não temos que brigar pelos nossos direitos e arrancar mais dinheiro deles (apontando e rindo para o dono da Parisi Video).
Henshin: Mas os fãs também passaram a pegar mais no pé de vocês…
Marcelo Campos: Eu acho essas críticas saudáveis. O Parisi não iria se preocupar em regravar o Yu-Gi-Oh se ele não se preocupasse com as criticas.
Parisi: Isso é verdade, eu levo muito a sério a dublagem dos animes, mesmo que tenha prejuízo, o importante é que saia bem feito.
Henshin: Qual foi o critério levado na escolha do elenco de Yu-Gi-Oh?
Parisi: Para escolher o elenco, o coordenador procura achar pessoas que se encaixam melhor na voz do desenho original. E é claro que vou escolher pessoas que eu achar que vão se adaptar na interpretação de certos personagens. No caso de Yu-Gi-Oh, tivemos que fazer um estudo do personagem principal, pois o Yugi da versão americana acaba parecendo um anão e não um garoto, como alguns sites diziam. Ele tinha a voz muito grave. Então tentamos fazer com que um menino fizesse a voz do Yugi e o Marcelo Campos assumisse apenas o Yami Yugi. Mas as coisas não se encaixaram muito bem. E tivemos que optar pelo Marcelo fazendo as duas personalidades do personagem. Acredito ter feito a escolha certa.
Marcelo Campos: O engraçado é que, quando comecei a dublar, foi fazendo personagens com idade média de 12 anos - e fiquei muito tempo fazendo crianças. Então fazer o Yugi não é muito difícil para mim, acaba até sendo muito familiar.
Ouça um recado gravado pelo Marcelo especialmente para a galera da Henshin. (MP3)

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