Isabel de Sá - diversão em dobro

Diversão em Dose Dupla com a dubladora da Jesse e da Sailor Júpiter

por Redação Henshin
20.07.2005

Esbanjando simpatia, Isabel de Sá bateu um descontraído papo com a reportagem da Henshin nos estúdios das Parizzi Video. Ela nos contou como começou sua carreira e sobre os animes que já dublou, como Sailor Moon e Guerreiras Mágicas de Rayearth, Saber Marionette J e, claro, a Jesse em Pokémon.

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Como você começou a sua carreira na dublagem?
Meu pai era rádio-ator na extinta rádio São Paulo e desde aquela época eu vivia em estúdios e me encantava com tudo aquilo. Depois eu casei e mudei a minha história, mas sempre mantendo a carreira artística em paralelo: fazia teatro amador e fui me engajando cada vez mais. Dublagem sempre foi uma coisa que eu gostaria de fazer. Através de um amigo do meu pai, eu conheci o João Paulo, que trabalhava na Álamo. Então fiz um estágio com ele, e chegou um determinado momento em que ele me falou: “então, Isabel, chegou a hora, vamos fazer um teste para você começar a dublar pra valer?!”. Quando ele disse isso, fiquei muito nervosa e fugi. Não consegui fazer o teste e fiquei mais um ano afastada. Aí eu voltei e comecei a fazer um segundo estágio na Dubla Vídeo, onde eu efetivamente comecei a dublar. Daí em diante comecei a trabalhar e não parei mais.

Você lembra qual foi seu primeiro personagem?
Você sempre começa fazendo pontinhas, fazendo “vozerios”. No começo eu não tinha nenhum personagem de destaque, só lembro que logo que comecei fazia uma dessas novelas mexicanas.

E como foi sua passagem pela Gota Mágica?
Na época da Gota Mágica, bem quando estava começando, o Baroli - que era o diretor da casa, uma pessoa fantástica e o pai dele já era conhecido do meu - ficou sabendo que eu estava dublando e me deu uma superforça. Lá na Gota fiz vários trabalhos legais.

Quais os personagens que você fez nos animes dublados lá?
Fiz personagens pequenos em Dragon Ball, fiz a mãe do Oliver Tsubasa - que era dublado pelo Márcio Araújo (o James de Pokémon e o Yamcha de Dragon Ball Z) - em Super Campeões, fiz alguma ponta em Samurai Warriors.

Você não fez nada em Cavaleiros?
Não, em Cavaleiros não fiz nada.

E nas Guerreiras Mágicas de Rayearth?
Nas Guerreiras Mágicas eu fazia uma daquelas duas irmãs, tinha a Tatra e a Tetra, mas não me lembro qual eu fazia… isso quem deve saber é o Baroli. Eu peguei Bananas de Pijama, porque a menina que fazia a ursinha Amy foi morar nos Estados Unidos e eu a substitui.

Qual foi a principal personagem que você fez na Gota?
Foi a Sailor Júpiter.

050720_isabeldesa_02.jpgE como foi fazer a Sailor Júpiter?
Era muito legal fazê-la. Primeiro porque foi meu primeiro personagem fixo numa série. E era muito gostoso trabalhar na Gota: a gente tinha uma relação muito boa com a casa, com a direção, com o personagem e isso influência muito no resultado do trabalho. É incrível, mas se você não tiver uma boa relação com o técnico, por exemplo, o trabalho não rola legal. A importância do técnico é muito grande. E, claro, se dar bem com o diretor é imprescindível.

O que você maia gostava nela?
Eu gostava muito do jargão dela, que era muito forte: “Trovão de Júpiter, Ressoe!!!”. Me marcou muito também o final da série, quando todos as Sailors morrem, aquilo foi muito triste…

E como é NÃO estar fazendo a Sailor Júpiter em Sailor Moon R?
Eu, particularmente, fiquei muito triste. Não houve nem a procura pelo elenco original. Eu penso assim: vamos procurar o elenco original, se as pessoas podem e estão dispostas a fazerem a série, muito bem, senão, aí sim ela, é substituída. Mas nem isso aconteceu. Fiquei mesmo triste, porque você se apega ao personagem que faz.

E essas mudanças não criam um mal-estar entre os próprios profissionais?
Às vezes sim, principalmente quando rola uma pisada na bola do colega. Mas este não foi o caso da Sailor Júpiter.

No caso a pisada foi da BKS?
A gente nem ficou sabendo que Sailor Moon ia ser dublado na BKS, quando soubemos já tinha vários episódios dublados.

Alguém do elenco original falou alguma coisa lá na BKS sobre o assunto?
Eu comentei, mas ficou por isso mesmo.

Depois da Era Gota Mágica, o que mais você dublou?
Das principais, fiz na Master Sound Saber Marionette J, fazia aquela série de massinhas chamada Vila Crapston - aliás essa série era escrota pra caramba, mas a gente se divertia muito com ela.

Em Saber Marionette J quem você fazia?
A Lux.

E você gostou de fazer as Garotas Marionetes?
Gostei, mas achei meio diferente. Não é a mesma coisa de fazer a Sailor Moon ou Pokémon. É um anime mais adulto e tem um lado erótico bem forte: elas ficam babando no venerável Otaru - que elas adoram.

O que mais você fez na Master?
Fiz algumas coisas em Caçadores de Elfas (Those Who Hunt Elves), fiz a mãe de uma das crianças em Evangelion. Também fiz a mãe do Pimentinha, tanto na versão que passa na Globo quanto na do SBT.

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E a Jesse da Equipe Rocket?
Jesse, Jesse… eu adoro ela. Ela é muito louca, histérica, neurótica… Eu me divirto muito com ela. A Equipe Rocket é muito atrapalhada. Eles sempre se dão mal. A Jesse tem um mau humor peculiar, ela nunca está satisfeita com nada. E ela desce a mão no James e no Meowth e a forma que ela trata os heroís, chamando eles de “pentelhos”, “pirralhos”, “fedelhos” - cada hora ela usa um termo.

E como você ganhou a Jesse?
Foi por teste, na Master Sound. Eu não tinha a menor idéia do que era Pokémon e no que viria a se transformar Pokémon. Foi uma surpresa muito grande e muito gratificante - quando tem as festas da Mangácom, o carinho com que a gente é tratado pelos fãs é muito legal, a gente recebe cartinhas deles… isso é muito gratificante e insentiva muito a gente.

Qual seu Pokémon preferido?
Eu adoro o Pikachu - embora a Jesse esteja louca para capturá-lo. Eu adoraria ter um Pikachu, mas não tenho! Eu também gosto do Horsea e daquele cavalinho que tem o rabinho de fogo. Acho um barato o Psyduck. Acho até que ele deveria ser um dos Pokémon da Equipe Rocket junto do Meowth - ia ser muito engraçado.

Como foram as mudanças de estúdios de dublagem de Pokémon?
A gente sempre espera que toda a mudança seja benéfica. Mas como foi na Master Soud onde aconteceram os testes, onde começamos a dublar o desenho, foi onde tudo começou, eu gostaria que tivesse permanecido lá. Teve a passagem pela BKS, onde aconteceu uma mudança no elenco e a gente sentiu isso - não por causa dos profissionais que substituíram os dubladores originais, que deram conta do recado legal. E agora que veio para a Parizzi, nós ficamos muito felizes porque voltou o elenco original, o Brock voltou para a série - a gente estava na maior torcida para ele voltar - e o Parizzi está tendo um supercuidado com a série, está caprichando mesmo e está tendo muito carinho conosco.

Dos filmes para cinema de Pokémon, de qual você mais gostou?
Gostei mais do segundo. Ele tem mais efeitos, tem mais aventura e a Equipe Rocket participou bem mais. Inclusive, este segundo filme nós dublamos no Rio, na Dellarte.

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Rio de Janeiro - 5 a 28 de novembro
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