Para os fãs de live-action, ele eternizou o personagem Hideki Goh, em O Regresso de Ultraman. Mas o que pouco gente sabe é que Ionei Silva emprestou com perfeição a sua voz para muitos outros personagens que estão em nossas memórias até hoje. Dúvida? Na lista do dublador está o Mestre dos Magos (de Caverna do Dragão), o Tutubarão, o Baretta, o Dr.Sam (de Yamato - Patrulha Estelar), o Bombardeiro da Meia-Noite (The Tick), além de participações em séries como Guzula, Os Gatões, Transformers, Buck Rogers, Carangos e Motocas (“Eu te disse, eu te disse…”) e muito mais. Nessa entrevista concedida à reportagem da Henshin, direto da Cidade Maravilhosa, esse verdaeiro monstro sagrado da dublagem brasileira nos fala sobre seus trabalhos mais famosos e o atual momento da dublagem brasileira.
Quais foram os personagens e atores que você fez?
Bom eram muitos eu nem sei se lembro. Mas fiz o Baretta, o Tutubarão, o segundo Ultraman, o Guzula, Carangos e Motocas, Fantasminha Legal, Buck Rogers e muitos outros que não vou lembrar.
Como foi que você se tornou a voz de Hideki Goh em O Regresso de Ultraman?
Foi uma coisa impressionante. Em 1974, fiz um teste com outras pessoas para ver quem faria o personagem e acabei sendo escolhido. O engraçado era que a série não tinha um diretor, pois todos os estavam ocupados. Assim, eu acabei assumindo a direção e escalei o restante do elenco. Eu lembro que o Paulo Pinheiro fez o Capitão Sato e a Maralisi fez a Akiko.
Você teve muitos problemas para dirigir e dublar a série?
O único problema que tínhamos era com a métrica. No japonês eles falavam pouco e na tradução ficava uma coisa muito grande, que a gente sempre tinha que ficar adaptando ou até mesmo inventando algo.
Você gostou de fazer o Goh?
Gostei muito. Aliás gosto de tudo que faço. O que não gosto, eu me recuso a fazer. Foi o caso de uma série, Os Gatões, onde me deram um papel que eu tinha que interpretar um xerife bobão, mas o diretor não queria que fizesse ele desse jeito. A série era uma comédia e eu teria que interpretar um cara bobo de um modo sério. Então eu me neguei a fazer o trabalho. Porém, depois disso me chamaram para fazer algumas pontas na série.
O que você lembra de O Regresso de Ultraman? Teve algum episódio que te marcou?
Eu me lembro que eles eram os salvadores da Terra, tanto que o grupo se chamava Grupo de Ataques aos Monstros, o GAM. Agora, acho que não teve um episódio em especial. O seriado era muito bem feito, todos os capítulos foram especiais para mim.
Como é ser lembrado ainda hoje por um personagem que você dublou há tanto tempo?
É muito bom. Isso massageia o ego da gente e quer dizer que existem pessoas que valorizam o nosso trabalho. É muito gratificante.
O que você sentiu ao ser aplaudido de pé por um auditório lotado como aconteceu com você na Ultracon 2000?
Foi muito gostoso ver todos aqueles jovens juntos fazendo várias perguntas. Depois todos queriam fotos e autógrafos. Acredito que dei mais de 100 só naquele dia. A adrenalina foi a mil, o cara que não se emocionar com aquilo, só pode ter um coração de pedra. Fui muito bem recebido, tive um ótimo tratamento, foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Se o Regresso de Ultraman fosse redublado hoje, você gostaria de voltar a fazer o Hideki Goh?
Olha, eu já não estou naquela idade de correr atrás das coisas, mas se me chamarem eu vou aceitar com toda certeza. Faria numa boa.

Você pode nos falar um pouco sobre seu trabalho em Caverna do Dragão como o Mestre dos Magos?
Naquela época, eu já havia feito muitas séries, por isso o meu trabalho já tinha um certo respeito. Por isso não foi preciso fazer nenhum teste. Os testes que eram feitos serviam para saber se o cliente iria gostar do trabalho. Mas no final era fácil saber quem ficaria com cada um dos papéis. O Mestre dos Magos era um personagem muito legal, pena que não lembro muita coisa sobre ele. E é como eu disse, eu gosto de todos os meus trabalhos.
Houve algum outro desenho japonês que você tenha feito?
Quando eu estava na Cine Castro, eu fiz bastante série japonesa, mas foi há muito tempo e eu não vou conseguir lembrar. Mas me recordo do Guzula. Foi muito engraçado fazê-lo, pois, às vezes, não se tinha fala ou a tradução não ajudava. Assim, eu dava uma adaptada no texto na hora de dublar. Sabe como é aquele velho jogo de cintura da nossa dublagem…
Você gostava de dublar os desenhos japoneses?
Eu gostava muito dos desenhos japoneses pela sua dificuldade, pois, além de serem muito bem feito, a métrica exigia que o dublador fosse criativo. Para mim era um sossego quando eu ia fazer um desenho japonês e não aqueles filmes de Bang-Bang que eu já estava cansado de dublar.
Como você vê o atual momento da dublagem brasileira?
Hoje a dublagem do Rio está em decadência graças a uma panelinha que se criou por aqui. A de São Paulo era ruim, mas hoje está melhor que a dos cariocas. Agora, nós já tivemos a melhor dublagem do mundo, mas hoje têm países como Itália e até mesmo o México que estão melhores do que a gente.

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