O que Vegeta e Brock tem em comum? Aparentemente nada, fora o fato de serem personagens de animes de sucesso. Mas o que pouca gente sabe é que os heróis de Dragon Ball Z e Pokémon ganharam no Brasil a voz do mesmo dublador: Alfredo Rollo. E foi com ele que a reportagem da Henshin bateu um papo sobre dublagem, Pokémon e Saiyajins.
Quando você começou a dublar?
Em setembro de 93, estava acontecendo um teste na Megassom. Eu fiz o teste e o Jorge Barcellos gostou e, no mesmo dia, comecei a dublar.
Você lembra o que você dublou neste dia?
Fiz uma ponta em uma novela mexicana. Daí por diante fiquei um tempão só trabalhando na Megassom. Nesta época fiz muita novela mexicana para o SBT e algumas pontas em desenhos - como o Darkwing Duck - e alguns filmes.
Quais os principais atores e personagens que você já fez?
Em filmes os principais atores que já fiz foram o Keanu Reeves, em Muito Barulho Por Nada,e o Antonio Banderas, em O Matador. As principais séries que dublei foram Três é Demaise também Starship Troopers, fazendo o Ricco.
Na época da Gota Mágica você chegou a fazer algum anime lá?
Na Gota eu fiz um mago que ajudava o Scorpio em samurai Warriors, também fiz um técnico naquele desenho sobre futebol, o SuperCampeões. Cheguei a fazer um personagem convidado em Sailor Moon - ele era um bailarino que se envolvia com uma das meninas…
No primeiro Dragon Ball você chegou a dublar algum personagem?
Cheguei a fazer algumas pontinhas, mas nenhum personagem fixo.
Como pintou o Brock para você fazer?
Na verdade quando Pokémon ia começar a ser dublado na Master Sound, eu fiz teste para fazer o James (da Equipe Rocket). Ficou entre eu e o Márcio Araújo, que foi quem ficou com o personagem. Aí, depois de uns cinco episódios, apareceu o Brock e o Fábio Moura, que estava dirigindo a série, me escalou para fazer ele.
Você acabou ganhando o Brock sem fazer teste?
Não! Acho que o pessoal não sabia que ele era fixo porque ele demora um pouco para aparecer. Depois, mais para frente, ele também sai do desenho - ele fica em uma ilha e agora, na terceira temporada, ele volta.
E como é fazer Brock em plena a febre Pokémon?
Quando começou Pokémon eu não sabia que ia fazer todo esse sucesso. A única informação que eu tinha era sobre aquele episódio que as crianças passaram mal… Eu não tinha noção do sucesso que seria Pokémon. No fim eu curti muito fazer o Brock. Ele é o engraçado da história: ele é mulherengo - fica todo abobalhado quando vê uma garota -, é aprendado - sabe fazer comida… Ele sempre tinha alguma coisa de comédia, de humor. É muito legal fazer o Brock.
Quando o Brock saiu da série você ficou chateado?
Fiquei! Mas quando ele voltou foi muito legal. Engraçado que todo o elenco de vozes de Pokémon estava na maior torcida para ele voltar e quando isso aconteceu todo mundo ficou muito feliz.
Parace que ninguém gostou muito do Tracey…
Esse Tracey aí eu também não curti muito.
O que você mais gosta no Brock?
Acho que além dele ser engraçado, o fato dele não querer ser Treinador, de ele querer ser um Criador.
Pokémon já foi dublado na Master Sound, na BKS e agora na Parizzi. Você acha que essas mudanças de estúdios prejudicaram na qualidade da dublagem da série?
Tecnicamente um pouco. Eu prefiro a qualidade de som da Master. Por causa das mudanças de estúdios alguns personagens tiveram que ter seus dubladores trocados, pois haviam alguns profissionais que por motivos particulares não dublavam na BKS ou a BKS não queriam que eles fizessem nada lá. Sem desmerecer os que substituíram os dubladores originais, mas acho que já vínhamos em um bom ritmo de trabalho e até eles pegarem esse pique leva um tempo. Todos deram conta do recado, mas não eram os “primeiros”. Na Master já tínhamos um esquema de trabalho, o que não tinha na BKS.
Qual o seu Pokémon preferido?
Eu gosto do Squirtle, o Pikachu e do Onix.

E o Vegeta, como você começou a fazer lá na Álamo?
Engraçado, acho que eu recebe esses personagens como o Brock e o Vegeta de presente. No Pokémon fiz o teste para o James e acabei pegando o Brock, no Dragon Ball Z eu fiz teste para o Goku - com o Wendel e o Marcelo Campos. O Wendel pegou o Goku e o Marcelo, o Trunks. O Vegeta apareceu bem depois do começo da série e a Angélica me deu ele para fazer. Hoje tem episódios que só dá ele, até parece o personagem principal.
Não passa um episódio que não parece que o Vegeta esteja irado? Como que você consegue fazer isso?
Isso veio muito naturalmente, não tive que pirar muito no personagem. Eu fui jogando essa voz a cada episódio. No começo eu até achei que eus estava meio “canastra”, mas o pessoal que dirigia a série me falava que não, que estava ficando muito legal. Depois que assisti, eu vi que tinha ficado bem legal mesmo.
O que você mais curte no Vegeta?
É dele fazer aquele estilo durão. Ele nunca dá risada - só sarcastica: “Eu vou acabar com você, seu inseto insignificante! Hahahaha!!!”. Ele não tem esse lance de sensibilidade, de amor, de carinho - até mesmo pelo Trunks… Por isso que todo mundo fala que o gostoso é fazer o vilão da história, por que dá para você pirar no personagem. Se você faz o menino bonzinho, como o Ash, é legal fazer, mas não tem que seguir aquela linha.
É difícil dublar o Vegeta?
Eu acho, porque ele tem essa coisa de ser sarcástico e por causa do sincronismo do desenho. A gente dubla em cima da versão espanhola e está bem ruinzinha - tem vezes que o Vegeta para de falar e o “espanhol” passa por cima, e aí, aqui a gente tenta consertar o sincronismo das falas.
Qual a seqüência do Vegeta que você achou mais legal?
Quando ele apanha do Cell, ali cai toda a máscara dele: ele sempre se achava o mais poderoso, o valentão e aí, a cada golpe ele percebia que todo mundo estava mais forte do que ele. Tem uma sequência que ele só está assistindo o Torneio do Cell e ele fica penando: “Eu não vou conseguir vencer Cell, como esses insetos ficaram mais fortes do que eu”. Foi muito legal fazer essas cenas, eu dei muita risada com o Vegeta.
Como é a repercussão com os fãs?
No caso do Vegeta e o Brock, o pessoal gosta mais do Vegeta. Não sei se ele é o vilão, mas exerce uma facinação no pessoal incrível. Tiveram até algumas meninas que ligaram na minha casa e de cara já falaram do Vegeta, que adoravam a minha voz… É muito legal esse tipo de reconhecimento.
Você já foi a alguma convenção de anime?
Ainda não. Já me convidaram, mas sempre acabei não pondendo ir por causa de algum compromisso. Mas eu gostaria muito de ir. Até nesta última que teve, a Mangácon, era para eu ir e acabou pintando um trabalho e não pude ir. Me disseram que sempre perguntam sobre o dublador do Vegeta e do Brock. Eu não tinha noção do número de fãs de Dragon Ball: já recebi cartinhas, camisetas com estapas do Dragon Ball… É um tremendo reconhecimento, principalmente em dublagem que você fica escondido - além de sempre ter aquelas pessoas que vivem falando mal da dublagem. Isso é muito legal e dá maior força para gente.

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