Afonso Amajones - A alma de Sanosuke

Conheça o dublador do Sanosuke, do Yamcha e do Ultraman

por Redação Henshin
20.07.2005

050720_afonsoamajones.jpgComo você começou a dublar?
Eu fui gravar uma fita piloto para mandar para uma rádio, porque eu trabalhava nessa área. Antigamente esse tipo de fita era feito no Senac, mas nessa época quem estava fazendo era a Álamo. E o mercado estava escasso de galãs, aí gostaram da minha voz e me chamaram para dublar. Só que eu não tinha ainda experiência como dublador. Então fiz um estágio e depois comecei a dublar algumas coisas, fazendo pontas, tipo personagem “índio No.41”, “homem No.4”. Depois dessa fase inicial comecei a fazer novelas mexicanas, filmes… aí embalou e eu não parei mais.

E quais papéis você já fez?
Já fiz um monte de filmes, dublei atores como Arnold Schwarzenegger, Robin Willians, Antonio Banderas, Keanu Reaves. Dublo a série O Corvo, fazendo o Eric. Fiz o Zorro na redublagem do seriado quando ele foi remasterizado, o He-Man, o Robocop no seriado e muito mais. De japonês eu fiz o Solbrain, Samurai Warriors (o Tommy da Luz), Street Fighter II - V (o Fei Long), Super Campeões, o Yamcha de Dragon Ball, o Hayata - quando Ultraman foi redublado -, o Sanosuke de Samurai X, o chefe da Equipe Rocket em Pokémon, o Tigre de Monster Rancher, fiz participações em Cavaleiros do Zodíaco e também em Dragon Ball Z.

E você ficou chateado de não ter sido chamado para fazer o Yamcha em Dragon Ball Z?
Não, porque era uma outra fase, ele já tava crescido. Mas eu gostava muito do personagem. Gostava daquele monte de luta: a onda deles era só sair na porrada. E o Yamcha tinha aquele jeito molecão. Era legal.

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E de todos os personagens, qual você mais gostou de fazer?
: O que eu gostei mesmo de fazer foi Samurai X. Eu sinto ter acabado. Aquele desenho era muito bacana de se fazer. A plástica era maravilhosa, a produção era muito bem feita, detalhista à beça. E outra: o Sanosuke era o cômico da história. Eu adoro papéis cômicos. E em desenhos a gente pode criar mais. Eu mal usava o roteiro, invetava um monte de coisa e depois de fazer a gente dava muita risada. Porque o desenho não é como o filme que tem o ator lá falando e você percebe que está sendo dublado. No desenho animado a pessoa identifica o personagem com a sua voz. Eu gosto muito mais de fazer desenho animado.

E falando do Ultraman, você gostou de fazer?
Adorei, porque eu passei minha infância inteira assistindo Ultraman. Eu assistia e depois saia para comentar com os amigos como foi o episódio. E há uns 5 anos a gente redublou a série inteira. Foi engraçado, porque quando você é criança não vê os defeitos, aquele é seu ídolo. Agora a gente vê como tinha coisas mal feitas, tipo os monstros de borracha. Mas foi o máximo, porque eu já tinha assistido quando eu era criança e nunca ia imaginar que quando crescesse ia dublar a série.

E você achou muito difícil fazer a redublagem, porque os fãs lembravam da voz do dublador original (o falecido Ari de Toledo)?
Não, não, foi fácil. Porque eu gostava, tinha muito carinho pela série. E foi muito divertido também.

Não sei se você ficou sabendo, mas os fãs de Ultraman não gostaram muito da sua dublagem. O que você acha disso?
Não fiquei sabendo. Mas quando eu fui fazer também achei que talvez descaracterizasse o personagem. Porque quando você ouve outra voz você estranha, por melhor que seja a dublagem. Então eu não culpo os fãs e nem fico chateado. É uma coisa normal.

E de todos os personagens, qual você acha que mais parece com você?
O Sanosuke. Inclusive porque eu pus muito de mim nele. E tem essa coisa de que no desenho eles lutam o tempo todo, mas sempre pelo bem. É meio “vamos dar uma lição nesses caras, porque eles tão sacaneando”. Então eles vão dar porrada mas para pôr ordem no galinheiro. Eu também gosto de botar pra quebrar, desde que seja pelo bem. E também porque Samurai X se passa no Japão medieval, mas o que acontece no desenho podia ser hoje em dia. Em qualquer lugar tem uns caras que precisam levar porrada. É muito atual.

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