Wellington Lima - a voz do Majin Boo

Conheça o dublador do vilão mais divertido de DBZ

por Redação Henshin
19.07.2005

Majin Boo, Pokéagenda, Professor Carvalho, Fausto (Saber Marionette J) e Hajime Saito (Samurai X). Dá para acreditar que todos eles são dublados pela mesma pessoa? Pois é, Wellington de Lima, dublador mais do que acostumado a emprestar sua voz à personagens de animes, conta nessa entrevista exclusiva qual é o segredo de sua versatilidade e como é interpretar figuras tão diferentes e adorados pelos otakus.

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Quais foram os personagens que você já fez em animes?
Foram muitos, mas me lembro apenas de alguns. Eu fiz a Pokéagenda e o Profes­sor Carvalho em Poké­mon; em Dragon Ball Z dublei o Raditz e depois os Majin Boos - também dirigi toda a Fase do Cell. Também participei de Samurai X, onde fiz o Hajime Saito. Teve um desenho chamado Auto­pista, no qual eu dublei o Sniper.

Você teve problemas para di­rigir a Saga Cell de Dragon Ball Z?
Tive sim. Até digo que todos os erros que existiram nessa fase são culpa minha. Acontece que te avisam o que você vai fazer de uma hora para outra, e aí não há tempo para fazer uma pesquisa. Acabei tendo problemas com os nomes da Videl, por exemplo: um fã-clube dizia que era Vidél e outro dizia que era Vídel. O Mister Satan nessa saga inteira foi chamado de Senhor Satan e na fase Boo isso foi corrigido. O problema é que o cliente não passa essas informações, e aí fica muito difícil para se fazer certo.

Qual das três fases do Majin Boo foi a mais difícil de ser dublada?
Com certeza foi o primeiro Boo, o gordinho. É que eu tenho a voz mais grave e fa­zer aqueles gritinhos agudos foi um problema. Já os outros dois foram mais fáceis, não tive muita dificuldade para encaixar meu tom de voz. Mas foi um bom trabalho e o legal é você poder brincar com a sua voz.

Como foi fazer um vilão de tantas faces?
Eu sempre faço o vilão. A minha voz é grave, mas não limpa como a de um galã, por isso se encaixa muito bem em vilões. O pri­meiro em Dragon Ball Z foi o Raditz, mas o Majin Boo foi o que deu mais repercussão. As crianças da minha vila se encantam quan­do eu faço o demônio espacial. E, apesar da dificuldade para fazer o gordinho, ele foi o que eu mais gostei.

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Fale um pouco do seu trabalho como Fausto em Saber Marionette?
O Fausto é um perso­nagem com algumas crises de iden­tidade. Às vezes ele era bonzinho e depois voltava a ser mau. Eu não sei muito da história do desenho, mas foi um personagem legal.

Você sempre sempre gostou de anime ou só passou a gostar agora?
Quando eu era criança curtia muito um desenho chamado Super Dínamo, foi o desenho da minha infância. Também não perdia um episódio de Ultraman. Já esses animes que dublo hoje em dia eu quase não assisto. Hoje é mais profissional.

Você não sente saudades de séries como Ultraman?
Nossa, o Hayata era o meu ídolo. Eu não entendo por que essas séries não passam mais na TV brasileira, há tanta coisa que passava na minha infância e que está aí até hoje… Acredito que tanto Ultraman quanto outras séries do genêro fariam um grande sucesso novamente.

Você já se emocionou com algum desses desenhos?
Eu e minha técnica choramos no final da Saga Cell, quando o Goku morre e o Gohan se desespera. Eu me surpreendi por estar me emo­cio­nando por causa de um desenho japonês. Não sei se foi pela interpretação da Fátima Noya (que fez o Gohan) ou se foi pelo de­senho, mas foi muito legal.

050719_wellingtonlima_03.jpgComo foi fazer o Saito?
Foi um tra­balho difícil e pe­noso. Eu nun­ca vi um dese­nho que não tives­se diálogos curtos. Os tex­tos de Samurai X eram e­normes! E, para piorar, o anime veio em ja­ponês. A diretora de dublagem da série so­freu comigo.

E como foi fazer parte do elenco de du­blagem de Pokémon?
Foi le­gal em todos os senti­dos. Esse foi um tra­ba­lho de seis anos e que me deu um bom retor­no financeiro. Fiz vozes para o site do desenho e mais três CDs com a Ciça Guimarães. Foi muito legal. Com certeza esse foi um dos melhores trabalho que eu já fiz.

Qual a importância dos animes para a dublagem na­cio­nal?
O nosso trabalho passou a ser re­co­nhe­cido por causa desses animes. Eles fizeram com que tivéssemos o res­pei­to do públi­co. Mas aqui as pessoas em geral criticam a dublagem. Se você faz um longa-metragem e um pe­queno detalhe sai fora do eixo, cai todo mundo em cima da du­blagem, inclusive a mídia - e a nossa dublagem é consi­derada a melhor do mundo, só aqui é que dizem que ela é ruim!

O que você acha do interesse dos fãs de anime em se tornarem dubladores?
Eu acho legal, mas é preciso ver se não é apenas um momento de emoção. Para se dar bem na dubla­gem tem que ser muito persistente e ralar muito. Tem pouco trabalho para muita gente, mas se você realmente está a fim de fazer, tem mesmo é que ir em frente.

Clique aqui e ouça a voz do Majin Boo. (MP3)

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