Majin Boo, Pokéagenda, Professor Carvalho, Fausto (Saber Marionette J) e Hajime Saito (Samurai X). Dá para acreditar que todos eles são dublados pela mesma pessoa? Pois é, Wellington de Lima, dublador mais do que acostumado a emprestar sua voz à personagens de animes, conta nessa entrevista exclusiva qual é o segredo de sua versatilidade e como é interpretar figuras tão diferentes e adorados pelos otakus.

Quais foram os personagens que você já fez em animes?
Foram muitos, mas me lembro apenas de alguns. Eu fiz a Pokéagenda e o Professor Carvalho em Pokémon; em Dragon Ball Z dublei o Raditz e depois os Majin Boos - também dirigi toda a Fase do Cell. Também participei de Samurai X, onde fiz o Hajime Saito. Teve um desenho chamado Autopista, no qual eu dublei o Sniper.
Você teve problemas para dirigir a Saga Cell de Dragon Ball Z?
Tive sim. Até digo que todos os erros que existiram nessa fase são culpa minha. Acontece que te avisam o que você vai fazer de uma hora para outra, e aí não há tempo para fazer uma pesquisa. Acabei tendo problemas com os nomes da Videl, por exemplo: um fã-clube dizia que era Vidél e outro dizia que era Vídel. O Mister Satan nessa saga inteira foi chamado de Senhor Satan e na fase Boo isso foi corrigido. O problema é que o cliente não passa essas informações, e aí fica muito difícil para se fazer certo.
Qual das três fases do Majin Boo foi a mais difícil de ser dublada?
Com certeza foi o primeiro Boo, o gordinho. É que eu tenho a voz mais grave e fazer aqueles gritinhos agudos foi um problema. Já os outros dois foram mais fáceis, não tive muita dificuldade para encaixar meu tom de voz. Mas foi um bom trabalho e o legal é você poder brincar com a sua voz.
Como foi fazer um vilão de tantas faces?
Eu sempre faço o vilão. A minha voz é grave, mas não limpa como a de um galã, por isso se encaixa muito bem em vilões. O primeiro em Dragon Ball Z foi o Raditz, mas o Majin Boo foi o que deu mais repercussão. As crianças da minha vila se encantam quando eu faço o demônio espacial. E, apesar da dificuldade para fazer o gordinho, ele foi o que eu mais gostei.

Fale um pouco do seu trabalho como Fausto em Saber Marionette?
O Fausto é um personagem com algumas crises de identidade. Às vezes ele era bonzinho e depois voltava a ser mau. Eu não sei muito da história do desenho, mas foi um personagem legal.
Você sempre sempre gostou de anime ou só passou a gostar agora?
Quando eu era criança curtia muito um desenho chamado Super Dínamo, foi o desenho da minha infância. Também não perdia um episódio de Ultraman. Já esses animes que dublo hoje em dia eu quase não assisto. Hoje é mais profissional.
Você não sente saudades de séries como Ultraman?
Nossa, o Hayata era o meu ídolo. Eu não entendo por que essas séries não passam mais na TV brasileira, há tanta coisa que passava na minha infância e que está aí até hoje… Acredito que tanto Ultraman quanto outras séries do genêro fariam um grande sucesso novamente.
Você já se emocionou com algum desses desenhos?
Eu e minha técnica choramos no final da Saga Cell, quando o Goku morre e o Gohan se desespera. Eu me surpreendi por estar me emocionando por causa de um desenho japonês. Não sei se foi pela interpretação da Fátima Noya (que fez o Gohan) ou se foi pelo desenho, mas foi muito legal.
Como foi fazer o Saito?
Foi um trabalho difícil e penoso. Eu nunca vi um desenho que não tivesse diálogos curtos. Os textos de Samurai X eram enormes! E, para piorar, o anime veio em japonês. A diretora de dublagem da série sofreu comigo.
E como foi fazer parte do elenco de dublagem de Pokémon?
Foi legal em todos os sentidos. Esse foi um trabalho de seis anos e que me deu um bom retorno financeiro. Fiz vozes para o site do desenho e mais três CDs com a Ciça Guimarães. Foi muito legal. Com certeza esse foi um dos melhores trabalho que eu já fiz.
Qual a importância dos animes para a dublagem nacional?
O nosso trabalho passou a ser reconhecido por causa desses animes. Eles fizeram com que tivéssemos o respeito do público. Mas aqui as pessoas em geral criticam a dublagem. Se você faz um longa-metragem e um pequeno detalhe sai fora do eixo, cai todo mundo em cima da dublagem, inclusive a mídia - e a nossa dublagem é considerada a melhor do mundo, só aqui é que dizem que ela é ruim!
O que você acha do interesse dos fãs de anime em se tornarem dubladores?
Eu acho legal, mas é preciso ver se não é apenas um momento de emoção. Para se dar bem na dublagem tem que ser muito persistente e ralar muito. Tem pouco trabalho para muita gente, mas se você realmente está a fim de fazer, tem mesmo é que ir em frente.
Clique aqui e ouça a voz do Majin Boo. (MP3)

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