Você acha que o Professor Hiragi de Cavaleiros de Mon Colle é muito louco? Pois mais doido ainda é Guilherme Briggs, dublador do personagem, do Mewtwo (no Rio) e de um monte de personagens pirados, como o Freakazoid e o Grinch (aquele bicho verde que o Jim Carrey encarnou no cinema). Numa entrevista mais do que divertida nos estúdios da Herbert Richers, no Rio de Janeiro, na qual não economizou caretas e muitas vozes diferentes, Guilherme revela que é fã animes e não vê a hora que desenhos como Cowboy Bebop e Bersek cheguem ao Brasil para que ele possa colocar sua voz neles. Dê só uma olhada.
Quais são os principais personagens que você dublou?
Eu dublei o Worf, nas duas primeiras temporadas de Jornada nas Estrelas - A Nova Geração, o Buzz Lightyear, o Grinch, o Freakazoid, Dagget em Os Castores Pirados, Han Solo na redublagem de Guerra nas Estrelas, o Ross em Friends e agora estou fazendo o Samurai Jack. De animes eu só fiz o Mewtwo no filme do Pokémon e o Professor Hiragi em Cavaleiros de Mon Colle. Eu vou fazer o Líder Optmus em Transformers Robots, mas a gente ainda não começou a dublar. Minha grande frustração é não ter oportunidade de fazer mais animes, porque a maioria é dublada em São Paulo e eu moro no Rio.
Você gosta de animes?
São a minha paixão. Eu só conhecia os animes mais antigos, como Patrulha Estelar e Don Drácula. Há mais ou menos um ano um amigo meu me emprestou uma fita de Escaflowne e eu fiquei impressionado com a sofisticação. Me apaixonei. Os animes são muito maduros, os personagens são bem desenvolvidos, eles têm sexualidade, falham, sofrem, não têm aquela moral comum. Os japoneses não se preocupam em criar ícones perfeitos. Depois disso, fui atrás e conheci Mahou Tsukaitai!. Fiquei viciado por animes, não conseguia mais parar de assistir. Vi então Bersek, Evangelion, Maison Ikkoku, Cowboy Bebop, Video Girl Ai, Saber Marionette J…
Nossa, você conhece até os animes que não passam no Brasil…
Sim, eu comecei a gostar tanto que fui atrás. Fui a convenções de animes, conheci outros fãs… estou até com vontade de ir ao Japão. Eu me identifico muito com a cultura e o povo japonês. Gosto muito das tradições, do respeito que eles têm pelos mais velhos, da disciplina. E eu sei que essa minha paixão não vai passar tão já. Tudo que começo a gostar é para toda a vida.
Quais são seus animes favoritos?
Que difícil… não dá para escolher um. Bom, em comédia eu gosto muito de Mahou Tsukaitai! e Maison Ikkoku. Em aventura é Bersek.
E o que você está achando dessa invasão de animes no Brasil?
É muito bom. Eu só fico chateado com a censura que os animes estão sofrendo. Tenchi Muyo, por exemplo, foi cortado. Em algumas cenas eles estavam tomando saquê e diziam que era suco. Não se pode mudar o desenho, tem que falar tudo e, se for o caso, passar em outro horário. Alguns animes não são para crianças e as empresas deveriam se informar antes e ver do que se tratam antes de colocar no ar.
Como é dublar Cavaleiros de Mon Colle?
Bem legal. O professor Hiragi é louco. Eu invento muito, às vezes faço uma voz de Silvio Santos, depois mais parecida com o Buzz. Tem um vilão que é meio gay e eu uso um monte de gírias para tirar sarro da cara dele. Minha única reclamação é com a produtora Saban, que edita os desenhos quando vão para os Estados Unidos. Eu não tenho certeza, mas acho que Mon Colle está cortado, porque tem umas cenas que ficam meio estranhas, dá para ver que não encaixam.
E como foi o Mewtwo?
Gostei porque foi meu primeiro anime. Mas eu não curto muito Pokémon, até entendo a proposta, mas não é o meu tipo de anime.
Quais personagens de anime você gostaria de dublar?
Eu gostaria muito de dublar o Spike de Cowboy Bebop, o Gatts em Bersek ou o cara do Trigun. Mas nenhum desses veio para o Brasil ainda, quando vier espero que me chamem para dublar. Também adoraria fazer o Don Drácula, mas sei que não ficaria melhor do que já é.
Qual o trabalho que você mais gostou de fazer até hoje?
Em desenhos meus preferidos são o Buzz e o Freakazoid. Mas gosto muito de fazer Os Castores Pirados. Em filmes tem o Han Solo e eu adorei fazer o Grinch. Me dediquei tanto que saía do estúdio até cansado, porque eu procurava fazer as mesmas caras que o Jim Carrey, interpretar de verdade. No fim, minha dublagem do filme foi considerada a melhor do mundo e até mandaram uma fita de vídeo com uma mensagem minha para o Jim Carrey. Fiquei emocionado, mas acho que ele nem assistiu ou se assistiu nem deu importância…
Ouvi dizer que você era fã de dublagem e conseguiu entrar na carreira, é verdade?
É sim. O gosto pela dublagem começou quando eu ainda era pequeno. Eu e meu pai ficávamos gravando histórias num gravador velho. Meu pai fazia o locutor e eu era sempre um convidado, a gente até usava um toca-disco para fazer a trilha sonora. Foi com ele que eu desenvolvi o gosto pelo texto, pela improvisação e criação. Bom, e quando eu já estava crescido, na época que estreou o filme Jornada nas Estrelas V, uma amiga minha mandou uma carta para o jornal reclamando que algumas coisas estavam erradas na dublagem. Chamaram a gente para visitar os estúdios, eu achei que eles iam é dar uma bronca por termos mandado a carta para o jornal, mas no fim eles queriam era mostrar o estúdio. Fiquei sabendo que dava para fazer estágio lá, então participei dele e já comecei a dublar.
E qual foi seu primeiro personagem?
Meu primeiro personagem grande foi logo o Worf de Jornada nas Estrelas - A Nova Geração. Eu já tinha dublado o Worf de sacanagem em casa, com uns amigos, cada um fazia um personagem e a gente ficava tirando sarro. Quando foram dublar Jornada eu pedi para fazer o Worf, fiz o teste e passei. Mas eu era muito garoto, foi difícil acertar no sincronismo. Mas a minha voz não combinou muito com o personagem, hoje assisto e dou risada. Mas foi uma experiência muito boa.

Você acha que vale a pena para os fãs de dublagem tentar a carreira?
Olha, tenho que lembrar que é preciso de registro de ator. Pode parecer chato, mas é o único caminho. Também vale a pena ter na cabeça que talvez seja preciso ter outro emprego. Eu consigo sobreviver da dublagem porque sou muito requisitado, mas a área não paga o quanto deveria e às vezes falta trabalho até para dubladores experientes. Mas é uma carreira muito boa, ela me satisfaz muito, principalmente na parte de criar coisas, eu adoro criar personagens, brincar com a voz.
Você não pensa em fazer outra coisa a não se dublar?
Eu faço outras coisas… além de dublar eu desenho e gosto muito de criar coisas gráficas. Faço até páginas de internet.
Ouça a voz do Mewtwo. (MP3)
Ouça Guilherme Briggs dando uma de Freakazoid. (MP3)

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